PENSE SKATE, MAS NÃO SEJA BURRO!

Esse é o blog oficial da revista PENSE SKATE. Fique à vontade para dar um rolé.

30

de
outubro

O FUTURO JÁ COMEÇOU

Por Guto Jimenez  Foto Fernando Martins

Responda rápido: qual notícia relativa ao mercado de skate é a mais impactante desse ano?!

a) A premiação recorde do Maloof Money Cup, a maior em eventos de esportes de prancha de todos os tempos;
b) A compra da Alien Workshop pela Burton, marca de snowboard;
c) O lançamento dos produtos assinados pelo Shaun White pela Target, rede de varejo americana;
d) A queda abrupta dos lucros da Volcom Q2;
e) A compra da Sector 9 pela Billabong, gigante do surfwear.

Pode cravar a letra E sem a menor dúvida.
“Como assim?!”, você se perguntará. Calma que eu explico melhor… 
A letra "E” é o fato mais relevante que aconteceu no mercado de skate não só nesse ano, mas dos últimos tempos também. Nesse século, somente o lançamento do filme “Dogtown and Z-Boys” pode ser comparado em termos de impacto de mídia e mercado. Não se esqueça de que, após o documentário vencer o Sundance Festival em 2002, o mundo e a grande mídia “descobriram” que existem skatistas veteranos que fizeram história – e uma boa parte da mídia especializada também, aliás… A partir daí, outras modalidades como o vert em pistas de concreto, slalom e até mesmo o speed começaram a ter muito mais portas abertas em termos de praticantes, eventos e mídia. Muito mais mercado, enfim.
Alguns fatos isolados anteriores ao anúncio da aquisição da marca já davam a entender que o mercado estava se movimentando numa direção no mínimo diferente da qual vem rumando nos últimos 15 anos: o midas Tony Hawk lançou um game só de downhill speed – e ele jamais entra numa furada comercial; algumas provas de speed na Europa têm transmissão de TV – coisa impensável há alguns anos; a WCS vem promovendo muito mais eventos de bowls do que os que seguem o fatídico formato “street-e-half”…
Seria tudo isso uma mera coincidência?! Claro que não. “No mundo dos negócios, não existe almoço de graça” – pelo menos, sem que aquele que esteja pagando não veja uma perspectiva muito animadora à sua frente.
Agora olhe de novo pra letra E lá em cima, e leia as entrelinhas. Você acha mesmo que isso somente dirá respeito aos donos da Sector 9?! Nada disso! As consequências serão impactantes pro mercado de skate de um modo geral, e não somente pro mercado de longboards. Estamos falando da Billabong, uma das maiores empresas de surfwear do mundo. Os mesmos que, após terem comprado a Element, a fizeram tão popular a ponto de a marca ser uma das favoritas dos camelôs de camisetas piratas em todo o mundo. Os mesmos que transformaram os relógios Nixon e as roupas da Von Zipper em objetos de desejo por gente de bom gosto de todo o planeta. E isso só acontece com quem tem não só muito estilo, mas uma eficiente máquina de marketing trabalhando sem parar nos bastidores.
Agora pergunte-se se as outras corporações gigantes que vêm investindo pesado no skate vão ficar só olhando a Billabong deitar e rolar; acho que nem preciso dar a resposta, né não?! Nike, Adidas, Quiksilver, a já citada Burton e muitas outras corporações estão, no mínimo, com as sobrancelhas levantadas prestando muita atenção nesse movimento inusitado de peças no tabuleiro do mercado de skate. Fica claro que a Billabong irá investir pesado na marca, que a tornará muito mais acessível ao público através da imensa rede de distribuição da marca e que a fará ir mais longe em termos de divulgação e marketing.
É lógico que os outros não irão ficar só olhando a Sector 9 encher mais os cofres dos seus novos donos. Sabendo-se que o lucro agregado de produtos de longboard é muito superior aos ligados ao street, é óbvio que as outras corporações muito em breve estarão também “indo às compras”. E isso será impactante pro cenário de skate, de uma maneira jamais vista antes.
Não duvide de minhas palavras; eu não sou um sabe-tudo nem muito menos adivinho, mas já vi muito chão passar embaixo das rodas. Desde que comecei a andar de skate, em meados dos anos 70, que venho acompanhando que alguns fatos marcantes vêm acontecendo com uma certa frequência na história do carrinho. Primeiro foi a invenção do uretano, que tornou as rodas finalmente seguras e controláveis e fez o skate ficar muito popular ao redor do globo; depois, quando o skate estava em baixa no iníco dos anos 80, surgiu a Thrasher pra ajudar a levantar o cenário e trouxe o mercado a reboque. Mais uns anos adiante, o surgimento do conceito de “street wear” levou a moda do skate aos não-skatistas pela primeira vez, de maneira definitiva como vemos até hoje. O vert dominou o cenário por anos e “morreu”, quase matando o skate também no início dos anos 90…
… E a partir daí, o cenário de skate virou-se pro lado do street e o mercado expandiu-se a níveis jamais antes vivenciados - e ficou estagnado como jamais o havia sido em toda a sua história. O mercado parece que havia achado a “galinha dos ovos de ouro” quando o street passou a ser a modalidade favorita dos moleques em todo o mundo; afinal, menos material era gasto pra se fabricar tábuas, eixos e rodas, mas os preços continuavam os mesmos… Era tudo o que o skate precisava naquele momento, dar a opção dos moleques poderem simplesmente botarem os carrinhos nas ruas e andarem, sem precisarem ir a lugares especialmente feitos pra se andar de skate cujos custos de manutenção e seguro passaram a ficar inviáveis. Quando grandes corporações abriram os olhos pra movimentação, e começaram a investir (e jogar) pesado no mercado de skate, as consequências vieram da maneira mais visível possível – os Xgames.
O mercado adorou tudo isso. E cometeu o seu pior erro, ficando acomodado. Ficou cego às maiores e melhores características do skate - criatividade e diversidade. Ficaram pensando que todo skatista é um moleque de menos de 18 anos que pratica street…
Só que, como o pior cego é aquele que não quer ver, nem alguns evidentes sinais isolados fizeram com que o mercado acordasse. Os próprios Xgames, por exemplo – a audiência maior sempre é nos eventos de vert, pois o público leigo jamais conseguiu entender o street. O já citado filme “Dogtown and Z-Boys”, que gerou uma versão blockbuster de Hollywood. A valorização dos veteranos, o retorno das pistas de concreto ao redor do mundo, a revalorização de modalidades como o downhill speed e o slalom… Não faltaram indicações de que um movimento diferente estava mexendo com o mercado de skate.
E, agora, a Billabong comprou a Sector 9.
O encanto do mercado com o street parece estar chegando ao seu fim.
Os longboards estão tomando os seus lugares ao sol com força total. Tomara que a variedade de modalidades, praticantes e estilos façam com que o cenário de skate reaprenda a cultivar e valorizar aquilo que o skate tem de mais positivo – a diversidade. Como se se ouvisse um grito coletivo de “chega!” pro atual estado das coisas.
Como diz aquele jingle meio brega de fim de ano, “o futuro já começou”. O tempo nem volta atrás e nem espera ninguém. Se você jamais pisou num longboard na vida, é mais do que hora de experimentar. Abra a sua mente – e o seu coração irá na mesma direção.

Acesse também:

http://www.penseskate.com.br/index2.phtml?link=home.php

 

 

Arquivado em: ARTIGOS I Comentários (1)

16

de
agosto

TOP 5 TRIP ANGRA

Por Eric Fernandez*

- ESTRUTURA

1 - ônibus - nota 10!!! - clima de montanha…oh beleza…

2 - a pista - excelente, tudo que um champ precisa

3 - o staff era "harmonioso" -  equipe sem igual

4 - médico presente e não precisou ser acionado nenhuma vez

5 - premiação muito boa e até 5º lugar

- MANOBRAS

1- Pajé - varial heelflip to bs boardslide na linha de manobras

2 - Danilo - flip to fleeble grind ( essa quase ninguem viu )

3 - ???? - fakie smith to fakie flip out

4 - Emanuel enxaqueca - nollie 360º no vulcão ( tão alto quanto um ollie 360)

5 - DJ Sabá - inesperado 360º flip bs over the chanel nas 45º da pista

- MOMENTOS / ATITUDES

1 - Luquinhas descer do Bus com os companheiros para dar vaga
para as pessoas que tinham que trabalhar no outro dia

2 - A presença de Ney Mato Grosso ( Marcelo Arteiro - Moment Vídeo) e Freddie Mercury (Bruno Funíl do NES ) no champ revelada pelo Tio Verde. rsrs 

3 - Marcelo Gouvêa com o joelho operado e de muleta ter caído do palco e dando um rolamento e não ter acontecido nada

4 - o Megafone com gravador do André Viana ( FASERJ)
-"DAUMCIGARRAÊ"

5 - O locutor  Shindo ter pego o microfone numa balada e ter convidado todos na balada para o segundo dia do champ que rolaria no dia seguinte.

Eric Fernandez é juiz da CBSK e foi um dos árbitros da 1ª Etapa da Copa Rio de Skate Amador, em Angra.

Mais em:

www.penseskate.net

www.copariodeskate.com.br

Arquivado em: CRÔNICAS I Comentários (3)

24

de
julho

DECK DISC 10 ANOS - HARDCORE, SKATE E NOSTALGIA

Por Artur Kjá*

Fui convocado pela Pense para cobrir o show de 10 anos da Deck Disk, que conta com diversas comemorações, sendo divididas por gêneros e locais. Eu, hardcore até os ossos, fui para assistir o primeiro set: Matanza, Dead Fish, Mukeka di Rato + Ratos de Porão e Cólera, no Circo Voador. Ótimo início de comemoração!

Para me acompanhar nessa viagem ao passado e aproveitando a reunião de dois ícones do punk hc, que muito agitaram minha juventude, convoquei a minha antiga galera de skate, a turma da Coronel Cota, rua do Méier que durante anos foi o pico e celeiro de skatistas com uma atitude acima da média do Rio.

Quem andou de skate nos anos 90 conheçe bem essa galera que citei… Norte Shopping, Monumento, praça XV… Funil, Lampião, Top, Bob… Além dos agregados, tipo Sabá, Rato, Grosso… Estávamos em todos os picos, sempre no melhor estilo ‘Alva Boys’, com atitude, skate e ação em nossas sessions… Puta bons tempos! Era skate de alma, pois não tinhamos um fluxo de campeonatos, vídeos, sites, e nem nomes fortes no mercado mundial, diferentemente de hoje, onde já ví até pessoas que começam a andar pensando em patrocínio, viagens, Europa… Nem de longe tem a verdadeira alma do skate: a ATITUDE HC.

(Ilustração por Artur Kjá)

Essa família que se criou entorno do Skate, se mantém unida e evoluindo sempre, mostrando que o skate é muito mais do que esporte, e que as amizades criadas nesse berço transcedem níveis socioculturais, ajudando no crescimento com ser humano. Foram ao show comigo: RA, Funil, Urco, Orelha, Sonek, Top, Grosso e Sabá. Ou seja, advogados, empresários, artistas e um mestre.

Chegando na Lapa, de cara vejo a força que o Hardcore mantém, já que o evento, numa noite de quarta, contou com filas enormes formadas por punks (a maioria criada a leite ninho), skaters, velhos skins, lutadores, além das entidades que normalmente freqüentam o local. É interessante ver que a molecada, por mais que seja sobrecarregada de pagode, axé e bate-bundinhas, ainda consegue se blindar com músicas que tem conteúdo e mensagens, mostrando que ainda temos esperança de uma nova juventude, cada dia mais consciente e atuante.

Entro no pico aos primeiros timbres do MATANZA, já que os eventos que circulam o Circo levaram diversas cocotas ao redor, deixando nosso olhar vagando por bundas e peitos, única coisa de bom que a merda de pagode e funk deixaram de cultura…hahahahah… Mas ao primeiro acorde, minha verve hc me conduz ao epicentro do show.

(registro feito por celular)

Chegando lá tenho a impressão que o evento será uma noite de pseudos-hardcores, ouvindo pop-punk e achando tudo isso muito agressivo, pois estava muito lotado e o pogo era apenas um empurra-empurra. Porém, essa impressão é desfeita logo no início do Dead Fish, que incentivou um pogo agressivo, esquentando cada vez mais o abarrotado Circo Voador.

Minha idade tenta me enganar, me deixando cansado após o Dead Fish abrir um corredor no estilo ‘baile funk’ onde a horda ensandecida, que a cada minuto me conquistava mais, se degladiou sempre com muito pogo e diversão. Dou uma pausa no início do Mukeka para uma cerva e cigarrinho… Aproveito para ver a fauna do local, e vejo como cresceu o número de fêmeas que decoram o Circo. OBRIGADO MTV!!! Pin-ups, Junkies, Pop-Punks-Peitudas… a diversividade feminina é um colírio para os olhos vermelhos!!

Durante o relax, percebo a mudança de tom no vocal do Mukeka.. Inconfudível: é o GORDO!!!! Corro para a roda, que nesta altura já ganhou o meu aval como autêntica, e me jogo ao som de Crucificados pelo Sistema… foda! Mesmo sem a banda, a presença marcante de João no palco, levemente alcoolizado, empolga e dá vida ao pogo, deixando a galera preparada para o grande show da noite.

No início do Cólera, fica visível a mudança de público no pogo, aparecendo anarco-punks e gangues HC que estavam esperando o momento certo para entrar em ação. Tretas, sangue, porrada seca e caos imperam no pogo agora.

Apesar da minha canseira, me mantenho ativo no meio do pogo, mantendo viva a tradição do skate do Méier, que sempre esteve no frontline da ação no Circo. Cotoveladas, demarcação de território e respeito pela minha pessoa fecham a minha atuação no pogo, já que, mesmo velho, muitos ainda lembram da minha versão ‘não-tão-legal’ na roda. Afinal são 18 anos de pogo e hardcore, sendo seis com banda, que ficaram marcados na memória e na pele de muita gente.

É foda ver uma nova geração com o mesmo espírito HC de antigamente, fazendo a tradição dos shows do Circo se manter viva. Espero muito que aconteça o mesmo no skate, que a nova geração busque no esporte o tesão e estilo de vida, e não apenas pensando em sugar o momento, ou em se profissionalizar.

Skate, assim como Hardcore, tem que vir da alma, e não comprar na loja do shopping mais próximo.

Depois dessa noite, o grito do Cólera ainda vai ecoar por muito tempo na minha mente: AAAaaaaa… AAAaaaaa… AAAaaaaa… ADOLESCENTE!!!!

*Artur Kjá é uma mente hardcore criativa que se manifesta através da arte.

Mais em:

http://kja.carbonmade.com/about
http://hc1506.wordpress.com

http://www.hc1506.com
http://www.interludio.tk
http://www.guerrilha.net
http://www.penseskate.net
http://www.zupi.com.br

Arquivado em: CRÔNICAS I Comentários (6)

17

de
julho

CUIDE-SE

Por Rennê Nunes

Certo dia fui surpreendido por um e-mail diferente dentre os vários que o site da Pense Skate recebe diariamente. O remetente era ninguém menos que Marcelo "Marbal", skatista carioca de grande destaque na década de 90, que junto com  a galera da extinta skate park MHS, movimentava a cena do skate do Rio naquele período. A mensagem do Marbal que segue abaixo nos faz refletir muito a respeito do jeito que lidamos com a nossa saúde e a saúde do nosso habitat, tema que está em pauta em qualquer discussão desses intermináveis dias pós-modernos. É de parar, pensar e refletir.

"Sabe o que é compartilhar bons sentimentos em pensamentos a outras pessoas, ou  até mesmo ao mundo ou quem sabe ao cosmos também? Ando a pé, ando no ônibus, ando  para o trabalho, ando para a serra, para a praia, para encontrar com minha esposa  e meu filho mas…Não ando mais de skate sabe porquê? Porque eu não me cuidei quando me machucava, se torcia o pé e tinha um champ no próximo final de semana,  eu arrancava o gesso e mesmo com dor eu ia andar…Andar é a melhor palavra  porque skatista carioca não competi, brinca de andar com os amigos e comforme eu  fui me lembrando dessas coisas…eu chorei. Um dia eu chorei por não ter mais  saúde para dar um rolé pelo menos no final de semana…dentro do ônibus, naqueles  dias em que vc está conectado com a onipotência do que tudo faz surgir, faz  surgir eu, você, os animais as plantas, o sol, os átomos…Que a paz desta  onipotência reine nos corações não só dos skatistas, mas também que está paz  esteja em todo o lugar, na África, na Europa, na Ásia, nas Américas, onde a fome  chegar, que possa em cada um daquele que ler esta mensagem, seu pensamento fluir  para o que pretendemos: A PAZ, A UNIÂO, A COMPREENSÂO E AO MEIO AMBIENTE, AFINAL  ELE TAMBÉM MERECE POIS O QUE SERÁ DE NÓS SE A QUALIDADE DE VIDA CAIR EM FUNÇÃO DAQUELES QUE NÃO CUIDAM. PENSE SKATER."

Um abraço, Marcelo "Marbal"

 

VEJA TAMBÉM

www.copariodeskate.com.br

www.penseskate.net

www.fotolog.com/penseskate

Comunidade Copa Rio de Skate Amador 2008

Comunidade Pense Skate

 

Arquivado em: CRÔNICAS I Comentários (1)

16

de
maio

You’re Never Too Old To Rock If You’re To Die*

A música na era pré punk começou a ficar muito complicada… foi a era do progressivo com bandas com 8 teclados, uma penca de guitarras com trocentos pedais, 5 sets de baterias, sinos, canhão…
Aí você ia a um show e via aquela parafernália toda e falava "Nossa! Eu nunca vou fazer isso! Isso é muito complicado…bla bla bla" e ficava vendo de longe, passivamente.
Corta para o punk rock.
1, 2 3 e rock ‘n’ roll.
Cru. Baixo Bateria Guitarra. Básico. Divertido.
Muitos passam a fazer também.
Do it yourself. Mudou tudo.
Corta pro skate Muderno.
Manobras, manobras e manobras.
540, 900, Switch, flip body varial crooked reverse…
você vai a um campeonato e diz "Nossa! Eu nunca vou fazer isso! Isso é muito complicado…bla bla bla" e fica vendo de longe, passivamente.
Corta para o ressurgimento do longboard.
Vento na cara. Rodas no chão.
Corta para as pistas de skate do século XXI.
Nesse novo século milhares de pistas de skate de verdade brotam - PISTAS e não palquinhos com ferrinhos e afins ( só na Amérika já são mais de 2000!), curvas e mais curvas e transições e mais transições.
Velocidade. Linhas. Manobras em linhas.
O skate volta a andar novamente.
Rápido.
O skate volta a ser acessível e divertido.
Creio que o excesso de dificuldade no vert e street foi também o catalisador para que modalidades que quase nunca recebem cobertura de revistas e vídeos voltassem com força nova, como o Downhill Speed e o Slalom, este último ressurgindo aos poucos com alguns amigos promovendo corridas de fim de semana até chegar aos grandes campeonatos Mundiais como o de Hannover ou o de Paris, que é realizado no Trocadero, com a Torre Eifeil ao fundo.
Hoje, uma turminha seleta foca no profissionalismo e não na diversão.
São os famosos "atletas".
É o skate "técnico".
E para esses, ser skatista é aprender uma manobra nova a cada dia, explorar novos picos, evoluir fotografar e filmar, filmar e filmar.
Assim sendo caras como Salba, Darrel e Alva, que andam constantemente em piscinas, em sessions insanas, não são mais "Skatistas…"
Isso sem falar nos caras do Downhill botando prá baixo à milhão, sem dó ou piedade ou a galera que acelera forte por entre os cones e ladeiras. Ou me diga quando foi que estes caras aprenderam uma manobra nova?Para mim, ser skatista significa simplesmente gostar de andar de skate e a meu ver não tem nada a ver com ter de aprender manobras, evolução constante ou skate profissional.
É vento na cara, deslizar por uma superfície rígida, controlando a velocidade, numa quase emulação do surf, que foi de onde surgiu o skate.
Ultimamente, parece que quase não se anda de skate mais…
se treina…ou então se “trabalha” … aí tendo a necessidade de haver fotógrafos, filmadoras, gerador e etc… para que se possa registrar a "evolução".**
Com essa visão, o rolé de longboard pelo calçadão, aquela descida maneira na ladeira com amigos de fé, uma pegazinho de slalom, uma session numa pista de skate (to falando de transições…) só andando e curtindo linhas e o próprio rolé não são considerados skate…
Então é o que?
Skate é algo muito maior que apenas manobras.
É um estilo de vida, instrumento de prazer, uma forma de expressão INDIVIDUAL, suor, alegria, amigos, viagens e mais, muito mais.
E cada um tem a liberdade de fazer do seu jeito.
Que tal discutirmos isso?

Cesinha Chaves
52 anos
Produtor de TV
Anda de skate desde criancinha e adora curvas e velocidade.

* Você nunca é velho demais para o Rock’n'Roll se é jovem demais para morrer” - trecho da música de 1976 "Too Old to Rock ‘n’ Roll: Too Young to Die" do grupo Jethro Tull)
** Depois de inúmeras tentativas. finalmente acertar

Acesse também:

http://www.penseskate.net/index2.phtml?link=home.php

http://www.brasilskate.com/cesinha/Home.html

 

Arquivado em: CRÔNICAS I Comentários (0)

25

de
março

SKATE NO DNA

texto e foto por  Rennê Nunes

Tudo bem que somos aquilo que fazemos e pensamos, mas quanto de nós já é pré-determinado hereditariamente?

Vira e mexe tenho pensado nessa questão, principalmente quando encontro alguns filhos de skatistas com total afinidade com o carrinho. E não adianta falar que é culpa do(s) pai(s) que fica(m) colocando pilha. Isso não cola.

Quem conhece o pequeno João não me deixa mentir. Cria do Núcleo Escola de Skate, filho da grande amiga Fabi e do lendário skatista Rato da ZN, João é o moleque que tem o skate na veia, literalmente. Chega ser impressionante a diferença de nível e afinidade que ele tem com o carrinho quando comparado com amigos da mesma idade e mesmo tempo médio de skate.

Apesar da força que a Fabi dá pro moleque, é impressionante ver como o moleque amo skate, assim como seu pai, que mora longe, em São Pedro da Serra.

Na semana passada estive visitando o amigão e skatista Thiago Venturotti. Há pouco tempo atrás ele tinha me dito que seu moleque já tava subindo em cima do skate e se equilibrando sozinho. Lógico que não levei fé, já que o Davi recém completou seu primeiro aniversário.

Nessa última visita à casa do Thiago presenciei uma cena que foi um verdadeiro colírio para meus olhos que a terra ainda há de comer. Essa foto aí que vocês estão vendo foi feita nessa visita e esse moleque aí em cima do skate é o Davi,   que ainda não tirou as fraudas e já curte a sensação de estar sozinho sobre esse pedaço de madeira com quatro rodinhas.

É bom ver que o skate é como a vida. Renova-se naturalmente, de geração pra geração.

Veja também:

http://www.penseskate.net/index2.phtml?link=home.php

Arquivado em: CRÔNICAS I Comentários (6)

30

de
janeiro

OS DEZ MANDAMENTOS DO SKATE

por Guto Jimenez

1 – ANDARÁS DE SKATE PARA TE DIVERTIRES. Conseguir patrocínio, aparecer na mídia e virar profissional devem ser consequências – jamais motivos para tu andares de skate em primeiro lugar.

2 – ANDARÁS DE SKATE ACIMA DE TODAS AS OUTRAS COISAS. E não te importarás muito com as modas que envolvem o simples ato de andar de skate, ou qual das modalidades escolherás - desde que andes de skate.

3 – TERÁS PAPEL DECISIVO NO SEU CENÁRIO DE SKATE. Isso não quer dizer que serás famoso, virarás profissional ou algo assim, mas sim experimentarás novas modalidades, conhecerás novas perspectivas e farás a mudança no cenário geral a partir do teu próprio cenário particular.

4 – NÃO ACREDITARÁS EM TUDO QUE A MÍDIA TE DISSERES. Sendo o skate muito mais do que é apresentado em programas de tv, revistas ou sites; havendo skatistas de ambos os sexos e todas as idades; havendo tantos mais tipos de skates e equipamentos que sequer imaginas – verás que o skate é muito mais do que te é apresentado pelas vias normais.

5 – SERÁS TÃO IMPORTANTE QUANTO OS PROS QUE ADMIRAS. Os pros são uma grande parte do mundo do skate, assim como tu o és – pois andas de skate para te divertires, acima de tudo.

6 – NÃO SE SUBJULGARÁS ÀS CORPORAÇÕES DO SKATE. O skate precisa de pequenas, médias e grandes empresas pra progredir. Não quererás que somente as megacorporações sejam as donas do skate.

7 – NÃO EXTRAIRÁS SEM DARES O MERECIDO RETORNO. Se tu fores parte do mundo dos negócios do skate, e estás preocupado em somente extrair o máximo de dinheiro que puderes sem dares a contra-partida que te é devida, terás um futuro muito incerto no ramo – e merecerás te estrepares na curva.

8- NÃO SENTIRÁS VERGONHA EM COMPRAR. Tu não deves ter vergonha em comprares coisas pelas quais tu sentes atraído pra comprar, pois tu és um consumidor como outro qualquer que irá testar, tentar a sorte e chegar às tuas próprias conclusões.

 

9 – NÃO FOMENTARÁS MODAS FALSAS. Se o que tu vês nas lojas e mídia não refletir o que tu vês nas ruas, mudarás então de loja e mídia – modas são passageiras, o skate é eterno.

10 – BUSCARÁS INFORMAÇÃO ISENTA. Não há veículo de mídia que não tenha os seus próprios interesses comerciais, mas isso não quer dizer que aceitarás informações manipuladas. Informação é como água – pode ser contida, porém jamais consegue-se segurar com as mãos.

 

ACESSE TAMBÉM:

http://www.penseskate.net/index2.phtml?link=home.php

http://www.fotolog.com/penseskate

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1439167

 

Arquivado em: CRÔNICAS I Comentários (4)

17

de
janeiro

SE VOCÊ NÃO GOSTA DE SKATE, AQUI NÃO É SEU LUGAR!

Por Rennê Nunes

Após todos aqueles votos de esperança de paz do ano novo, o dia 2 já começou meio esquisito pro meu lado. Meu camarada Bruno, o Daguess, que grande parte de vocês deve conhecer, me chamou pra dar um rolezinho aqui na nova pista de skate de Campinho, perto da nossa casa. Muito ruim a pista, diga-se, lamentavelmente,  de passagem.

Nem tava com meu skate em casa e resolvi ir só pra dar aquela gastada, tomar uma cerveja e trocar aquela idéia com um grande amigo. Foi o que fizemos: sentamos num boteco e tomamos algumas e depois fomos praticamente expulsos pela água com sabão que vinha de dentro do chão do bar invadindo a calçada. Resolvemos terminar aquela conversa lá na pracinha do skate mesmo.

O Daguess começou a fazer um solinho junto com a molecada que lotava a pista naquela noite quente de quarta-feira. Estava sentado no banco curtindo a sessão e saboreando minha cerva quando percebi duas garotas sentadas do meu lado, no mesmo banco. Não passavam dos 16, as duas.

Daqui a pouco me chega um camarada de bicicleta acompanhado por outro a pé e encosta do lado das meninas e começa a falar gracinhas pra elas. Até aí quem tava achando graça era eu. Só parei de rir quando a gracinha do malandro passou do limite:

- Vocês gostam de skatista? - pergutou ele às meninas.

Nem esperou a resposta e já foi insistindo:

- Odeio skatista! Pra mim skatista é tudo babaca, otário…

Aí fui eu que não esperei se quer ele cuspir a terceira abobrinha:

- Rala maluco! Aqui não é o seu lugar!!!!! - disse já num tom bem agressivo.

- A praça é publica - disse ele numa tentativa de me encarar e impressionar as donzelas.

Tomou-lhe um empurrão exatamente no momento em que o Daguess já chegava para lembrá-lo que era bem melhor que ele fosse embora porque se não as coisas podiam ficar piores pro lado dele. Acho que o cabeça de camarão entendeu. Pegou sua bike, enfiou a viola no saco e meteu o pé.

Não tô contando essa história pra tirar onda nem coisa parecida. Quem me conhece sabe que dou uma boiada e pago à vista para evitar qualquer atitude violenta. Mas foi mais forte que eu. Quando dei por mim já estava empurrado o cara de cima da bicicleta.

Depois do episódio, a noite que até então era boa, virou meio que um pesadelo. O Bruno parou de andar de skate, eu quis ir embora, enfim, um estresse que nos consumiu e, particularmente, me deixou irado. Com a situação e com a minha reação.

Foi a primeira vez que saí do sério por causa do skate. Talvez eu ainda não tenha e nem sei se algum dia vou ter  a exata dimensão de quanto esse pedaço de madeira com dois eixos e quatro rodinhas significam pra mim.

Conversando com o Guto, ele me motivou a escrever esse relato e aguardar para ver quantas pessoas já passaram por situações semelhantes.

Agora, se você chegou até essa linha do texto, mas não gosta de skate, pode até continuar a ler e se quiser pode até comentar. Mais uma coisa é importante lembrar: RESPEITO É BOM E CONSERVA OS DENTES.

Se ainda sim estiver insatisfeito, é melhor meter o pé antes falar merda. AQUI NÃO É SEU LUGAR!!!

http://www.penseskate.net/index2.phtml?link=home.php

http://www.fotolog.com/penseskate

 

Arquivado em: CRÔNICAS I Comentários (6)

1

de
dezembro

UMA SALVE A TODOS ARQUITETOS DO SKATE NACIONAL

Por Rennê Nunes

Hoje vou dormir mais feliz. De um tempo pra cá, não é sempre que você passa parte da noite com um grande amigo conversando e trocando idéias sinceras sobre a vida e o que nos motiva a viver: o amor e o prazer de andar de skate!

Essa pessoa a quem me refiro, além de um grande amigo, é uma das figuras que mais tem trabalhado duro pelo skate carioca nos últimos tempos. Eu só poderia estar falando do fotógrafo oficial da Pense Skate, o Julio Cesar "Tio Verde", ou "Tiozão", como muitos gostam de chamar.

Pra quem não sabe, o Tio Verde começou a dar seus primeiros impulsos e drops quando muitos de nós se quer sonhavamos em vir ao mundo. Eu tô me referindo à década de 1970, onde o skate estava começando a "engatinhar" aqui no Brasil.

Apesar de infelizmente não ter vivido aqueles tempos, é de conhecimento geral que o lifestyle daquela época era embalado pelo lema "sexo, drogas e rock`n roll", ou o tradicional "ande de skate ou morra".

O Tiozão representa aquela geração assim como muitas outras lendas do skate brasileiro entre os quais poderíamos citar nomes como Cesinha Chaves, Luís Come-rato, Carlos Grilo, Jorge Zunga, Sidney Ishii, Guto Jimenez, o falecido Tatu, além de muitos outros nomes importantes e outros que nunca tiveram o devido reconhecimento.

Hoje a noite, por acaso, acabei trombando com um desses desconhecidos. Tião Moraes, esse "coroa" aí de cabeça grisalha na foto, ao lado do Tiozão, é uma dessas figuras anônimas que representam a primeira geração do skate brasileiro.

Foi sensacional passar alguns minutos conversando com essas duas figuras, observando os dois relembrarem os tempos de sessão na Tenente Costa ou o campeonato da São Gabriel, ambas conhecidas ladeiras do Méier, bairro que é referência na história do skate na cidade. Salve salve ZN.

É emocionante ver, anos depois, esses dois eternos adolescentes, reponsáveis chefes de família, falarem do skate com muito brilho nos olhos. Um brilho carregado de boas lembranças de uma época onde as únicas coisas que existiam eram o amor e a vontade de andar de skate. Uma época em que a diversão era levada ao limite, regada a muito sexo, drogas e rock`n roll.

Um salve para todos os Tios Verdes e Tiãos do nosso skate. Um salve a todos os verdadeiros arquitetos do skate brasileiro.

Skate na veia!

29

de
novembro

GRANDES HOMENS

Por Paula Gnomo

De forma nenhuma aquele jovem se levantou da cama e disse que iria andar de skate. Meninos, pequeninos meninos, não andam de skate, apenas brincam. E tudo vira diversão, como naqueles parques cheios de brinquedos, criança correndo para todo lado, mãe gritando para o filho tomar cuidado para não cair e se machucar. O molequinho encontrava os amigos e passavam o dia todo na rua curtindo a vida. Ah, como era maravilhoso o final de semana! Chegava em casa cansado, jogando o tênis para um lado, a camisa para o outro, abrindo a geladeira para pegar a água bem gelada, se jogando no sofá e ligando a televisão. Menino, não deita assim no sofá. Vai logo tomar seu banho! – sempre gritava a mãe. E lá vai o garoto carregando o próprio corpo até o banheiro, como se fosse o último sacrifício da sua vida, o mais árduo. Essas coisas de menino pequeno são adoráveis, não pelo fato do cansaço de ir até ao banheiro, mas simplesmente pela ternura, a simplicidade das ações.
É claro que todo menininho cresce, vira rapaz, só que às vezes é difícil aceitar e lembrar disso ( as mães com certeza concordam com o que acabei de dizer). Perceba que agora os amigos mudaram, a forma de pensar, de vestir, de falar, de gesticular, entre muitas outras coisas também mudaram.

De forma nenhuma aquele jovem se levantou da cama e disse que iria andar de skate. Homens, grandes homens, não andam de skate, apenas brincam. E tudo vira diversão, como naqueles lugares cheios de muretas, escadas e corrimãos, que cismam em chamar de Skate Park. E ali tem gente andando em tudo que é obstáculo, sem preocupação, nem lembrando o aviso que a mãe passou, que deveria tomar cuidado para não cair e se machucar. O homem encontra os amigos e passam o dia todo percorrendo a cidade, buscando novos desafios, picos…ou seja, curtindo a vida. Ah, como é maravilhoso o final de semana! Chega em casa cansado, colocando o tênis na varanda, tirando a camisa e arremessando no cesto de roupa suja, abrindo a geladeira para pegar a água bem gelada, dando um beijo na mãe, e em seguida indo ao banheiro tomar um banho para depois se jogar no sofá e ligar a televisão ou se conectar à internet para ver as últimas notícias. No quarto , pequenas recordações do tempo que iniciara no skate. Vídeos, revistas, adesivos….E em cada recordação, a certeza de um sonho realizado e a esperança de realizar muitos outros. A certeza de ser um ídolo para muitos menininhos e menininhas, que estão ali no parque, na rua brincando, jogando bola, vendo você passar e ficando admirados com esse negócio fantástico chamado skate, estilo de vida. Este é o seu momento!

E agora eu digo: de forma alguma você levantou da cama e disse que iria andar de skate…

Arquivado em: CRÔNICAS I Comentários (5)
Posts mais antigos »

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://penseskate.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.