PENSE SKATE, MAS NÃO SEJA BURRO!

Esse é o blog oficial da revista PENSE SKATE. Fique à vontade para dar um rolé.

26

de
dezembro

PARASITAS DE UM MODO GERAL

Por Guto Jimenez

Acho bem oportuno que alguém mais levante essa bandeira; afinal, desde o Na Base (98/2000) que o mercado não é capaz de sustentar uma publicação local de skate, por menor ou menos modesta que ela seja.  Taí o exemplo recente da Pense Skate pra não me deixar mentir.
            Dizem que o skate carioca é assim por falta de marcas locais fortes, argumento que concordo apenas em parte. Tudo bem que lojas têm o orçamento muito mais apertado do que marcas, mas me questiono se essa realmente seria a maior carência local, principalmente quando penso que há marcas como a Street Line, que está no mercado há muitos anos e não dá o retorno que deveria ao esporte. Não acho que dar alguns shapes de premiação de campeonato seja um grande incentivo ao cenário, mas sim uma maneira barata de marketing ao associar o nome da marca a eventos diversos.
            O problema é bem mais crônico, tem a ver com o jeito carioca de fazer negócios: pouco objetivo, lerdo e dispersivo, na sua maioria. Qualquer fotógrafo que já tenha tido a oportunidade de tentar vender o seu trabalho para marcas sediadas aqui, do skate ou não, vai assinar embaixo do que eu acabei de dizer.
            O problema estrutural do skate carioca é muito mais sério e abrangente do que se imagina. Estamos atrasados não só na maneira de divulgar ou de fazer negócios, mas até nas pistas que existem por aqui e na falta de defesa delas. Compare a "street park" de Terê (a mais nova do estado) com qualquer pista nos sites
grindline.com ou teampain.com e chore de raiva e frustração. Teríamos que ter entidades que corressem atrás de pistas para futuras gerações, ao invés
de tentar "vender um peixe" monstrengo e desatualizado como se fosse uma grande coisa.
            Como skatista veterano, fico pasmo e até meio puto de presenciar a passividade com a qual a grande maioria de skatistas das gerações mais novas vê bikes andando e destruindo os picos que foram agilizados por NÓS, skatistas. Em sua imensa maioria, bikers são PARASITAS, e piores dos que os lojistas de skate que não dão retorno ao cenário. Eu me prendo aos fatos:

1) São skatistas quem formam associações, fazem projetos, correm atrás da construção e fiscalizam a execução das obras de pista de skate. Bikers não têm nem uma associaçãozinha que se preze; só se pode contar com bikers pra destruir o que foi duramente agilizado por outros - no
caso, nós;

2) Bikes destroem SIM! Os pisos das pistas de skate foram feitos pra terem boa performance em contato com uretano; não foram projetados para aturar as constantes quedas e porradas de guidons, pedaleiras e outros metais que têm nas bikes. Para eles, não faz diferença se tem ou não buracos nas pista; suas rodas são de borracha e eles têm freios e andam sentados… e eles sempre podem contar com skatistas para correrem atrás de pistas novas pra eles destruírem;

3) participei das concepções, projetos e execuções de todas as pistas de skate que pintaram no Rio desde 1988 até 2000, mais ou menos. Sei da complicação, burocracia e tempo que se gasta pra que se consiga um simples "sim" das "autoridades competentes" (risos). Por isso, onde quer que eu vá andar, me recuso a dividir a pista com um desses verdadeiros PARASITAS. Podem me chamar de antigo, retrógrado ou babaca, que eu não to nem aí. Se você for um biker e estiver lendo isso, procure marcar a minha cara; se eu estiver na pista, você não vai andar. Respeito é bom, eu gosto e fiz por merecer, portanto vá parasitar em outra freguesia. Simples assim.
            Para concluir: triste é o cenário cuja maior novidade em 2006 foi o cenário de "Malhação".

Arquivado em: ARTIGOS I

12 Comentários »

  1. Comentário por Rennê Nunes — 26 de dezembro de 2006 (22:36)

    Apontar os problemas que impedem que o Rio de Janeiro seja uma das maiores - se não a maior- potência do skate nacional, já é um grande passo. Mas não resolve esses problemas de fato.

    Como o Guto afirma com propriedade - e eu concordo - um dos principais problemas que impedem o crescimento do skate do Rio é a ausência de uma grande marca local, que financie a cena local. Mas como podemos fazer pra driblar essa dificuldade? Comprando e dando valor às marcas que realmente investem no skate, sendo elas de onde forem. Marcas que patrocinam atletas (principalmente do Rio), realizam ou apoiam eventos(principalmente no Rio), desenvolvem produtos de qualidade e anunciam em mídia especializada (principalmente do Rio).

  2. Comentário por Rennê Nunes — 26 de dezembro de 2006 (22:37)

    Tenho certeza que, se realmente comprassemos com mais consciência, as marcas que realmente estão dispostas a investir no skate poderiam investir mais aqui no Rio. E se não fizessem, teríamos todo direito de cobrar com responsabilidade.

    Que os lojistas não possuem uma margem de lucro que se compare com a de uma grande empresa, isso todo mundo sabe ou deveria saber. Mas, o que realmente atrapalha a cena não é a pouca possibilidade de investir dos lojistas, mas sim o parasitismo e a falta de visão que assola nosso mercado. Comerciantes que só sabem sugar os novos skatistas “ignorantes”, como o pessoal lá daquela galeria, que está lá há anos, lotando os bolsos de dinheiro, parasitando no nosso mercado.

    Os lojistas já eram para estarem unidos há muito tempo, através de uma associação compromissada com o desenvolvimento do mercado. Mas a grande maioria é tão burra que prefere sentir no bolso as conseqüências de terem uma visão de negócios que não consegue ultrapassar a porta de seus estabelecimentos.

    Frente a isso, sinceramente, discordo que a Street Line, marca que - deve ser dito - concorre de forma quase desigual com as “grandes” que chegam de sola, deve ser cobrada com esse rigor. Posso ser suspeito para falar, mas conheço de perto a correria que os “irmãos Street Line” fazem para tocar a única marca de skate do Rio de Janeiro.

    Agora, falta de visão, como já disse anteriormente, é um problema sério nesse Estado. Do skatista ao empresário passando pelo dirigente esportivo, ainda temos muito que a avançar nesse ponto. E ainda tem os bikers para fuderem nossas pistas(risos).

    Sem querer ser cabotino, talvez a PENSE SKATE tenha um papel fundamental nesse cenário. E não somente no que diz respeito ao “pensar” mas, com muito mais importância, no fazer.

    Em 2007 estaremos aê na atividade, retomando com mais força ainda. E você? Vai reclamar o vai pensar para poder fazer?

  3. Comentário por Rennê Nunes — 26 de dezembro de 2006 (22:46)

    Por favor, por falha técnica desse blog, leiam os meus comentarios anteriores de forma invertida, pois só assim se complemtentam e fazem algum sentido.

    Grato,
    Valeu!

  4. Comentário por Junior Kamikaze — 28 de dezembro de 2006 (12:50)

    Sou totalmente a favor do comentario Renne. Sendo local de Duque de Caxias tenho visto que a situação por aqui não é diferente de outros locais. Temos atletas com potencial, mas esbarramos na falta de apoio/patrocinio para os mesmos correrem campeonatos e até mesmo falta de material para treinar. Temos ainda uma loja (Skate Rock) que domina o mercado de skate na região, mas infelizmente não investe um tostão em eventos ou apóia atletas. Todas as vezes que procuramos o Sr. Sales ele sempre vinha com a mesma histório de que os tempos estão difíceis(são 3 lojas em caxias), que não poderia apoiar com nada a não ser com adesivos e bonés da sua loja. Atitudes como a do proprietario da referida loja refletem a cena atual do mercado carioca. Lojas que querem se aproveitar do esporte e não dão nada em troca.
    Como skatista consciente faço minha parte para “limar” lojistas desse tipo não comprando nem um parafuso de base sequer nessas lojas! Se todos fizerem a sua parte e apóiassemos aqueles que fazem algo pelo esporte poderiamos mudar a situação e colocar atletas cariocas novamente no topo do skate nacional.

  5. Comentário por Wilbor (Wilson Domingues) — 12 de janeiro de 2007 (23:59)

    Essa história de que temos que consumir de forma consciente é muito romântica e não muda a realiade;

    1- Quem precisa do boicote às marcas e lojas que “parasitam” o skate carioca geralmente NÃO consome a tal ponto de mudar alguma coisa, por tanto quem gasta mais dinheiro com skate não é quem tem um envolvimento com skate como a gente (Eu, Renê, Guto). Geralmente é a molecada da Barra ou Zona Sul que chega com a Mamãe na skateshop.

    2- A ordem do mercado é oferta/procura isso nunca vai mudar.

    3- As marcas de São Paulo estão pouco se lixando. Quando se movem pra alguma coisa é em prol da área deles…
    4- Pra existir uma marca que bote isso aqui pra frente, acho que só se um skatista louco ganhar na loteria e gastar uma boa parte da fortuna…

    Acho que o quem pode mudar alguma coisa é quem está envolvido com skate e tem know how em alguma área profissional que possa servir pro skate. Mas uma peça só não muda o jogo é preciso uma sincronia de todas… Ainda vejo muita desunião e politicagem no skate carioca. Todo mundo quer ter um projeto e quer que ele seja o mais foda… O que temos? Milhares de tentativas de projetos foda…

    Sobre as pistas de skate concordo plenamente com o Guto que temos mais elefantes brancos do que pistas. Nenhuma delas amenizou a batalha de quem quer praticar street de verdade contra os guardas municipais. Não precisamos de SKATEPARKS e sim PARQUES DE SKATE! Por quê não construir uma PRAÇA XV só para skatistas?

  6. Comentário por Rennê Nunes — 15 de janeiro de 2007 (19:36)

    3- Não posso acreditar que as marcas de São Paulo estejam pouco se lixando, acho que investem quando há algo com seriedade feito por quem realmente entende de skate. Somado a isso também tem o fator vendas. Se as vendas andam bem, os investimentos são favorecidos. Por isso, comprem de forma mais consciente, investindo em marcas que tem tradição em patrocinar skatistas, campeonatos e eventos de skate.
    4- Não acho que a gente deve esperar alguém ganhar na loteria, pois não sabemos quanto tempo essa pessoa contiuará viva. Afinal, isso hoje é sorte pra assassinato!
    Sem mais delongas, acho que devemos estar unidos, administrando nossas empresas com responsabilidade e profissionalimo. Se isso for feito, já vai gerar um puta resultado positivo. Se alguém ganhar na loteria, aí tudo vai ser melhor! É fazer um seguro de vida e correr pro abraço!! rs
    sobre a união nesse mercado e a PRAÇA XV só para skatistas, sou totalmente a favor!!!!!!!
    Estamos juntos!!!
    E vamos nessa!

  7. Comentário por Rennê Nunes — 15 de janeiro de 2007 (19:37)

    Sobre o comentário do meu parceiro Wilson, gostaria de esclarecer:
    Não acho que consumo consciente seja somente uma atitude romântica. De fato é, mas não somente isso. MUDA A RELIDADE SIM! Talvez essa mudança não seja vista hoje, por nós. Mas pelas proximas gerações de skatistas, produtores de vídeos e campeonatos, editores de revistas e sites, skatistas profissionais e todos!
    Digo isso tomando por base os pontos que vc mesmo mencionou:
    1- Se são esses muleques que vão com a mamãe no shopping comprar que financiam esses mercenários, acabamos de identificar o perfil do skatista (e aí podemos também incluir seus pais) que precisa receber orinteções sobre como consumir de forma mais consciente. Virar as costas para esse problema é que não muda nada.
    2- A ordem do mercado é oferta/procura, então, se TODOS consumirem de forma mais consciente e NINGUÉM mais comprar de lojistas mercenários, eles irão a falência. Simples assim. Digo isso pq já vi muito neguinho - que sabe como as coisas funcionam - ir comprar em lojista mercenário para economizar R$5.

  8. Comentário por Wilbor (Wilson Domingues) — 16 de janeiro de 2007 (16:34)

    O grande problema que passamos na nossa cidade maravilhosa à beira de um colapso de violência nas vésperas do Pan 2007 é que de uma loja que investe pra outra que não investe no skate não é só R$ 5,00 de diferença. Concordo plenamente que devemos consumir conscientemente, mas ficam as perguntas:

    Quantos consumidores de skate são conscientes?

    Quantos, não tem condições financeiras para agirem de maneira consciente?

    Eu falo por experiência própria, cresci no subúrbio andando de skate e nem sempre tinha grana de passagem pra sair do meu bairro, felizmente hoje tenho condições melhores para a manutenção do meu skate. Acho que hoje existem milhares de praticantes na minha situação passada. Qual prioridade esses moleques vão dar? Peças de skate mais baratas é claro…

    É bom lembrar que estamos num país em desenvolvimento e as classes com menos condições financeiras são a grande maioria.

    Não devemos virar as costas para esse problema, mas tentarmos enxergá-lo sob outros pontos de vista.

  9. Comentário por Guto Jimenez — 17 de janeiro de 2007 (14:50)

    Achei os comentários tando do Rennè qto do Wilson pertinentes, mas queria adicionar algumas coisinhas:
    1) grande parte da molecada vive de mesada ou de salário de 1º emprego. Portanto, R$ 5,00 faz diferença sim num equipamento qualquer, tanto é q a galera da ZS vai geral na River comprar e não sustenta lojas nos seus bairros. Pergunta pro Magrão, q teve loja a 3 quarteirões da pista do Aterro e não conseguiu segurar as pontas. Tenho amigos q trabalham na Galeria, mas considero aquilo lá como o câncer do skate carioca, com um querendo ver como pode ferrar o outro mais um pouquinho. E nisso quem quer só pagar menos se dá bem. Na maior parte das vezes, a defesa de quem tem pouca grana é primeiro pensar com a carteira, e só depois com a consciência ou com o coração.
    2) por conta de melhores condições de $$, a molecada da Barra ou q frequenta shopping não ta nem aí pras lojas de rua ou as q levantam a cena. São os + acomodados possíveis, q levam o q a loja tiver e só procuram marcas mais famosas. Aí cria-se outro círculo vicioso: o lojista só investe no q conhece pq a molecada só procura os + conhecidos. Lembra dos anos 80, qdo só se tinha Powell, Vision ou Santa Cruz nas lojas, ou então Urgh e Lifestyle. E quem ta começando ou fora dessa esfera, fica de fora dessa faixa de mercado tb.

  10. Comentário por Guto Jimenez — 17 de janeiro de 2007 (14:51)

    3) por causa de tudo isso, as lojas “boas” ficam sem condições de fazer muito pelo cenário.
    Só pra concluir, concordo em parte com o comentário do Wilson q as marcas de SP estão se lixando. Q há um bom consumo dessas marcas aqui é inegável, e tb não dá pra negar q elas poderiam estar fazendo muito + do q estão fazendo atualmente pelo skate do Rio. Eu acho q a galera como um todo espera demais acontecer alguma coisa ao invés de arregaçar as mangas pra provocar uma mudança. O maior poder de um consumidor é a sua liberdade de escolha; ora, se eu sou um consumidor consciente, não vou gastar o meu dinheiro numa marca q não ta me dando o retorno desejado. A melhor maneira de atingir uma empresa é falando com o bolso dela; se rolasse um boicote de verdade às lojas e marcas, e as vendas caíssem, garanto q eles iriam se mexer pra mudar.
    É isso mesmo, BOICOTE. É uma palavra bonita e ta na moda? Não. É uma atitude extrema? Sim, no caso do skate carioca diria até q tão essencial qto o ar q se respira.

  11. Comentário por charles silva "frajola" — 31 de janeiro de 2007 (13:41)

    Parte 01

    Cara fica dificil falar ou mesmo comentar, posso ser um exemplo.A 4 anos faço um circuito de skate em minha regiao sem apoio de marca de skate ,que coisa inusitada as lojas que sempre me apoiam são skate shop e surf shop.Egraçado não.As vezes consigo com marcas de roupas de amigos .

    Dificil?
    Sim

    O que podemos fazer?
    Correr atrás,não ficar lamentando e criticando que faz um pouco que seja pelo skate,cara como ja vi criticas da revista pense skate, e do meu circuito,ou mesmo da premição que dou ,pois eu não empresário para dar combustão no mercado de skate Carioca as marcas grandes so vão se colocar a dispostos a investir no mercado carioca quando tiver o consumo ,pista boas, associações federação ativa, isto que move o mercado, não basta falar,falar e falar, muito criticam ,criticam, mais no fim não fazem nada .

  12. Comentário por charles silva — 31 de janeiro de 2007 (13:44)

    parte 02
    O que falta?
    Putz…Competencia, não dos atletas ou memso midia e sim de quem diz que quer mudar muitos so falam mais não cumprem com seu dever no nosso municipio e estado, não adianta cria federação e não ter reuniões, ou mesmo convocar as pessoas interresadas.Não velha mas com churumelas..tipo..Pois sabemos que o skate não acontece aqui no RJ não es porque marcas de outros estado não patrocinam não, e sim por que falta competencia do orgão maior do skate carioca mostrar as caras.Eu faço minha parte,gringo, funil, e tobias,Ze vicente,krikri e mary,eric..alguns guerreiro que não ficam lameentando com skate carioca em nosso municipio fora os guerreiros de outros municipios que por falta de competecia nen se quer temos conhecimenot de evenots fora do nosso municipios as vezes os de Niteroi e alguns da baixada.Nossos skatistas estao de parabens pois a safra de novos talentos existe ,pois no canso de ouvir nos evento que vou com minha mulekada ou mesmo o que faço a 4 anos no briza.

    E agora?

    Rezar!Cara rezar não basta, temos que agir, de que forma, eu mesmo tenhuns 3 projetos e pedidos de melhoria e construçao de novas pistas em minha regiao ,tenho um projeot social e troco informaçoes com pessoas que tem a mesma visao que eu, não posso somente rezar, tenho que fazer acontecer e com isso levar pra minha regiao o que o skate cresça com responsabilidade social e passar pra populaço que oskate es um esporte e assim lojistas locais e mesmo empressas fora do skate apoiem o skate es uma das saida, isto ja acontece em nova iguaçu com Tobias que tem Patrocinio do Brasas .

    Fica ai meus sinceros abraço pra galera que faz o skate acontecer no nosso municipio pois não esta morto.

    abraço
    frajola

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