30
de
março
SOB FOGO CRUZADO PARTE 1
Por Guto Jimenez
Recentemente, a IASC (International Association of Skateboard Companies) publicou um manifesto/estudo da indústria de tábuas de skate chamado “Under Fire”, ou “Sob Fogo Cruzado” numa tradução livre. Tal extenso material saiu como suplemento especial da TWS Business e está disponível pra download no site da revista, em www.twsbiz.com Nele, alguns dos maiores fabricantes e distribuidores de tábuas dão as suas impressões sobre a concorrência sinistra das “blanks” e “shop” boards, aquelas madeiras sem marca ou feitas sob encomenda pras lojas.
Esse problema surgiu como uma moda no princípio dos anos 90. Após customizarem seus tênis e roupas, diversos street pros da época começaram achar “maneiro” sair em fotos, vídeos e na mídia em geral com tábuas lisas, sem arte ou gráficos, só com o silk da marca e adesivos dos patrocinadores mode não perderem os bons incentivos de fotos. Eu mesmo vi o auge dessa modinha com os meus próprios olhos, no Back To The City de 1993 em San Francisco - o campeonato de street mais importante do mundo na ocasião. 9 entre 10 pros NÃO faziam a menor questão de ostentarem nem os seus próprios pro models; os que o faziam eram os “invasores” vindos do vert, como Christian Hosoi, Tony Hawk ou Omar Hassan que, não por acaso, faturavam muito mais do que os então emergentes street pros. Era o auge do Embarcadero e de suas modinhas esquisitas: calças king size, rodas minúsculas, Puma Clydes… Pela primeira vez, o conceito de “function before fashion” fora distorcido, priorizando-se modinhas em detrimento ao desempenho, mas isso não vem ao caso aqui.
Foi nesse momento que algum fabricante de tábuas, que terceirizava a sua produção pra marcas de skate, viu abrir-se à sua frente uma mina de ouro. Ele poderia fabricá-los sem marcas “nas internas” e vender pra distribuidores e lojas muito mais barato do que as marcas o faziam; afinal, era ele quem fabricava mesmo e não precisava ter a margem de lucro das marcas, bastando vender seus blanks a um preço muito atraente que possibilitaria a todos economizarem até 40 % no preço de compra. Hmm, parecia bom pra todo mundo – quem vendia tinha mais margem de lucro, e quem comprava pagava menos. Pra quem vive de mesada ou ganha pouco, qualquer dinheiro que se economize faz diferença, mesmo que sejam os trocados da passagem de ônibus.
É óbvio que as marcas de tábuas forçaram os seus pros a extinguirem com a modinha babaca. Eles obedeceram e a moda passou, mas não os blanks. Por incrível que pareça, apareceram pra ficar. E corroer as bases do mercado de tábuas até colocá-lo no ponto que se encontra hoje em dia – o de estar enfrentando a pior crise da história do skate. Sim, não se surpreenda: as marcas americanas de decks estão na UTI em estado quase terminal. E a culpa é de quem mais deveria cuidar bem desse mercado – distribuidores, lojistas e skatistas que consomem blanks e shop decks.
A principal razão pela qual “blanks” e “shop” decks são nocivas ao mercado de skate como um todo é simples: não há retorno ao skate. Ou seja, cada vez que um(a) skatista entra numa loja e compra uma tábua desse tipo, só porque ela é mais barata, dá um tiro no próprio pé do mercado como um todo. Blanks e shop decks não sustentam pros, não patrocinam campeonatos, não promovem demos ou eventos, não produzem vídeos. Não fazem o mercado girar, enfim. E botam um bocado de dinheiro nos seus bolsos. E matam os fabricantes de tábuas que são quem sustentam aqueles que são as referências a TODOS os que começam a andar de skate, os ídolos, os heróis: os pros.
Goste-se ou não do atual estado do profissionalismo do skate, o fato é incontestável – são os pros quem fazem uma pessoa prestar atenção no skate pela primeira vez. São eles quem inspiram quem já começou a andar, seja do jeito que for. São eles quem se arriscam elevando o nível de manobras cada vez mais. E tornar-se um deles é o que sonha a maior parte da geração mais nova.
Você consegue imaginar um cenário de skate onde não existissem pros?! Eu não. E olha que já vi o skate “morrer” por duas vezes, mas o mercado sempre ressussitou, ou reergueu-se das cinzas como a fênix. Sempre tendo os pros como referências de estilo e de superação de limites.
A PENSE SKATE foi o primeiro veículo a ter a coragem de botar o dedo na ferida contra as lojas parasitas que assolam o mercado carioca, em particular, e brasileiro de um modo geral. Nessa primeira parte, abro a discussão pro tema com a “versão oficial” das marcas. Não deixe de dar a sua opinião no blog, e nem de ver a segunda parte, pois você verá que as coisas não são bem assim.
Acesse também:
http://www.penseskate.net/index2.php?link=home.php


Comentário por Rennê Nunes — 30 de março de 2007 (1:42)
Eu devo estar parecendo um velho chato com esse meu posicionamento de bater na tecla do consumo consciente.
Mas eu acredito que não há outra saída.
O skatista precisa parar de ficar “dando tiro no próprio pé”, como disse o Guto.
Se há blanks sendo vendidas em lojas é porque tem gente pra consumir e ponto final.
Infelismente sabemos que grande parte dos lojistas que estam no mercado hoje não tem grande comprometimento com o futuro do esporte.
Se tiverem que fechar as portas daqui há algum tempo para abrirem uma barraca de bananas na feira, ou o que é mais provável, encherem a loja de pranchas e roupas de surf, irão fazer sem dó.
Ou a galera pensa as coisas a longo prazo e valoriza quem faz - mesmo que seja pouco - pelo esporte, ou o mercado vai mesmo mergulhar nessa crise.
A questão aqui não é virar nerd ou se passar por politicamente correto. Sabemos que skate é diversão e liberdade acima de tudo.
Mas acho que já estamos pagando caro demais por pensar as coisas de forma inconseqüente ou a curto prazo.
Comentário por Bruno Funil — 2 de abril de 2007 (1:42)
É realmente preocupante, obrigado Guto e Renne por passarem adiante a informação sobre este momento na história do Skate. Ainda não pensei fundo a respeito, mas como atitude emergencial da minha parte podem ter certeza que a molecada do NES ouvirá bastante sobre o assunto ”pro models” e os malefícios dos blanks. Contactarei outros instrutores de escolinhas do estado para repassarmos a informação aos mais novos. Skate sempre!
Comentário por Juan Peterson — 2 de abril de 2007 (11:09)
Essa é uma discussão difícil. Não sei se o problema é o shape blank em si, mas sim o shape blank sem marca, o feito na encolha.
O dinheiro que uma marca usa (ou deveria) para patrocinar campeonatos, fazer vídeos e etc. não vem só da margem de lucro de um model pro, mas de um lucro total. O blank é mais barato? É. Então eles vão ganhar menos e portanto investir menos, certo? não sei, pois o mesmo dinheiro que o consumidor economizou com o blank pode ser gasto com a compra de videos ou gasto com inscrição em campeonato ou entrada. É uma questão muito complicada.
Eu nunca comprei um shape blank, mas acho que nunca fiz isso por não saber o fabricante, de poder ta comprando um produto de má qualidade. E o que me faria comprar um blank não seria o preço (é claro que todos querem gastar menos), o que eu gosto do blank é que você faz a arte do shape, é uma tela, é o seu model exclusivo e feito por você.
Essa discussão implica também em outros assuntos, muitas marcas grandes não investem em mídias de skate(não sei se o termo existe, mas quero dizer campeonatos, vídeos programas de tv, demos, etc.) e têm dinheiro para isso. Só para citar um exemplo, quantos vídeos de marcas grandes existem no mercado? poucos. E para constar, a produção de um vídeo é barata, a distribuição pode ser complicada, mas podem ser feitas parcerias com lojas e revistas. E por que não fazem?
Acho que o problema não é o blank em si, e sim como esse blank é posto no mercado e quem o faz.
Comentário por Rennê Nunes — 2 de abril de 2007 (14:05)
Acho que, nesse caso, não devemos julgar caso a caso.
Fica impossível. Do mesmo jeito que o cara pode usar o que economiza na compra de blanks em vídeos ou revistas, ele pode usar para comprar um x-tudo depois do rolé. E num estado democrático de direito, não há nada de criminoso nisso.
Mas acho que todos devem saber exatamento o que estam fazendo quando aplicam seu dinheiro nesse mercado.
Sem Pro não há vídeos nem revistas e, se bobiar, nem campeonatos. E fim de papo. A questão é mais profunda.
A grande realidade é que o cara que coloca os blanks no mercado está sendo oportunista, ou não entende como funciona o mercado ou está cagando pra isso tudo.
Precisamos refletir mais!!!!
Comentário por eric — 4 de abril de 2007 (12:23)
não sabia que o mercado ja tava nesse ponto…
eu sempre pude comprei pro-models , por varios motivos
tive 10 agacê sendo 8 do fabio cristiano, sou fã incondicional dele , hj uso SL , pq tambem é bom e por questão de trabalho , mas acho que não usaria um blank só pq todos usam…mas vale a pena o toque do nosso amigo ” menudo “Jimeniz , sempre traz boas opniões sobre o skate pra dar uma orientada no pessoal que ta começando a “vida skatistica”
Comentário por Guto Jimenez — 18 de abril de 2007 (16:55)
Considerações:
1) os blanks não são os vilões q a IASC pinta. Aguardem as outras partes do post;
2) a qualidade das tábuas é quase idêntica, se não forem melhores. Menos de 15% das marcas fabricam os seus próprios decks, e a imensa maioria importa da China e do México, por causa da mão-de-obra muito mais barata;
3) as marcas lançam tábuas de logos, artísticas e o kct, e não pagam 1 centavo aos pros por elas. No mundo dos negócios, não existe almoço de graça e nem ninguém inocente;
4) os donos de marcas se fazem de coitadinhos, mas vendem pra redes de lojas de esporte bem + barato do q pras skate shops. Todos sabem a importância das lojas de skate - mas o q os shoppings já fizeram pelo skate antes?! Tirando o Rio Sul, q bancou o bowl, ou o mall onde fica a Vans Skatepark em Orange, na Califa. Fora isso, porra nenhuma de nada;
5) já q foram lembrar o apelido obscuro dos anos 80, lá vai a resposta de então: MENUDO É O CARALHO!!!
Comentário por TIO VERDE — 7 de maio de 2007 (19:54)
REALMENTE É PREOCUPANTE, SE LÁ TÁ´ASSIM,IMAGINE AQUI!!!!!!!!! EU COMO SÓ COMPRO DECKS DE QUEM FABRICA TENHO MINHA CONSCIêNCIA TRANQUILA, E OLHA QUE EU GANHO MAU E TENHO 2 FILHOS PRA SUSTENTAR! FORA OS AGREGADOS! NÃO TEM DESCULPA! SE TU COMPRA É BURRO! E BURRO VAI MORRER NA FOGUEIRA DO INFERNO! QUANTO ALGUNS LOJISTAS CUIDADO A MÁSCARA DEMORA MAS CAI!