19
de
abril
SOB FOGO CRUZADO PARTE 2
“Assim o é, se lhe parece”. (William Shakespeare)
por Guto Jimenez
Então vejamos: de acordo com os fabricantes de tábuas pro models, comprar blanks e shop decks podem matar a “galinha dos ovos de ouro”, pelos motivos que vimos antes. Pensar só com o bolso, ao invés de fazê-lo com consciência, é um veneno que pode matar o mercado do skate da maneira que o conhecemos nos dias de hoje.
A questão que não quer calar é: a culpa é só de quem compra blanks e shop decks, seja quem for?
O que mais me chamou a atenção no manifesto da indústria de tábuas, o “Under Fire”, foi a cegueira coletiva de alguns que estão por trás do segmento. Veja alguns comentários:
“São os pros quem validam e definem a imagem de uma marca”. (Bod Boyle, Dwindle Distr.). Ué, primeiro a World Industries extingue os pro models – e agora ele reclama?! Quem com ferro fere…
“O mercado americano ainda está saudável, mas o mercado internacional tem sido muito afetado pela quantidade de produtos muito baratos sendo oferecidos”. (Chris Carter, DNA Distr.). Não é só por isso, cara-pálida: no mundo inteiro há cada vez mais praticantes de transições, downhill, slalom e freestyle, modalidades ignoradas por grande parte de fabricantes de pro models.
“Num mercado decadente, é muito importante ajudar e apoiar empresas que dão ao mercado força e personalidade” (Dan McGee e Joe Burlo, Blueprint). Ah, bom; se eu entendi direito, sob condições normais o que vale é a selvageria capitalista da concorrência desleal…
Já outros cabeças da indústria têm pensamentos bem conscientes, saque só:
“Embora eu goste do modelo de 7-ply (= 7 camadas), qualquer um pode fazê-lo. Portanto, em relação à produção, não há muita inovação acontecendo no momento”. (Jamie Thomas, Black Box Distr.)
“Como lojista, eu entendo o porquê desses produtos existirem”. (Colin McKay, Plan B)
“Blanks são os sanguessugas do skate: chupam tudo e não dão nada de volta” (Jim Thiebaud, Deluxe Distr.)
A opinião mais lúcida veio daquele que é o mais veterano entre os envolvidos no setor, Bob Denike da NHS/Santa Cruz. Veja o petardo:
“A contínua inércia da indústria é a maior ameaça; todos esperam que alguém surja com uma resposta mágica. A constante falta de compromisso com inovações e novas idéias no setor, que começou em meados dos anos 90, só aumentou e permitiu que esses produtos mais baratos fossem vendidos por empresas que não reinvestem de volta no skate. E isso está lentamente erodindo as fundações desse negócio”.
Não é à toa que Denike não é uma das figuras mais populares no meio industrial americano…
Agora saque só alguns dados estatísticos, espantosamente fornecidos pelo mesmo manifesto / estudo:
- 5.000 models são lançados por ano pela indústria - mas se esqueceram de dizer quantos deles são pro models (que geram royalties não-informados) e quantos são models de marca;
- cerca de 800 skatistas recebem materiais das marcas. Num universo de 12 milhões de skatistas nos EUA, de acordo com a Board-Trac, isso dá uma porcentagem de 0.006666%… Ou seja, 1 em cerca de 15.000 skatistas é agraciado com materiais pelas generosas marcas. Se isso não for uma estatística de elite, não sei o que seria;
- cerca de 400 demos e outras cerca de 400 premières de filmes são bancados pela indústria por ano. Quando se sabe que mais da metade é bancada por marcas de tênis e roupas, vê-se que os fabricantes de decks não gastam tanto quanto querem fazer entender;
- 0.7 % da receita são gastos com os seguros de pros. Pra quem por vezes arrisca a saúde e a vida, é de uma mesquinharia sem medidas.
Sinceridade? Eu teria vergonha de divulgar números assim. Nem com a mais descarada manipulação esses números podem ser vistos como positivos pra indústria.
Bom, você agora sabe as causas e os efeitos dos problemas, sob diversos pontos de vista. Opine, faça as suas observações, dê o seu palpite. E aguarde a parte final do assunto, que fala das “responsabilidades”.
Acesse também
http://www.penseskate.net/index2.php?link=home.php
http://www.fotolog.com/penseskate
http://www.orkut.com/GLogin.aspx?done=http%3A%2F%2Fwww.orkut.com%2FCommunity.aspx%3Fcmm%3D1439167


Comentário por Rennê Nunes — 19 de abril de 2007 (8:48)
Números realmente lastimáveis.
Infelizmente, parece que cada um olha cada coisa de acordo com o seu ponto de vista e dá o enfoque que acha mais pertinente aos seus interesses.
União é a saída para superar as maiores dificuldades que vemos no skate hoje.
Comentário por Pedro de Luna — 25 de abril de 2007 (18:55)
Excelente e PERTINENTE questão. Parabéns, Guto!
Poderia fazer uma parte 3 adequando ao mercado brasileiro e sua história de blanks e models de Pros. Afinal, pro que ganha R$1,5 mil é prozinho. Quem vai sustentar um apto assim? E uma FAMILIA???
material de reflexão para os proximos posts….
abraço!
Comentário por TIOVERDE — 7 de maio de 2007 (19:59)
GUTO AÍ VAI A MINHA PERGUNTA, DE QUEM DEVO COMPRAR? DO FABRICANTE QUE CRIOU O MONSTRO OU DO MONSTRO? PENSE NISSO!
Comentário por Guto Jimenez — 10 de maio de 2007 (22:21)
Muita calma nessa hora, Tio… Tire as suas conclusões somente após ler a última parte do artigo, q será postada em breve. Aí nós conversamos, blza?