17
de
junho
SOB FOGO CRUZADO FINAL
A parte final do manifesto/estudo ‘Under Fire” se dedica a apontar as responsabilidades de cada um no mercado de skate. De fornecedores e fabricantes a distribuidores e lojistas, de fabricantes de tênis e roupas a pros e mídia, todos têm que tomar algumas atitudes urgentes pra que não se mate a “galinha dos ovos de ouro” de uma vez. Como acredito no lema que diz que “cada um com o seu cada qual”, analiso apenas o que diz respeito à minha atividade no meio do skate, que é de mídia.
Como a parte que toca a mídia é pequena, transcrevo integralmente fazendo os meus comentários:
“Ao mesmo tempo que é excitante ver novos rostos no meio, é muito importante realçar os pros e amadores mais relevantes pra que os garotos possam entender claramente quem são os líderes do skate”.
Peraí: o que é melhor pro meio, ver os mesmos skatistas sempre ou perceber que uma renovação é possível?! Será que tantos andariam de skate se não tivéssemos tantos pros e amadores diferentes, vindos dos lugares mais variados do mundo? Não sei se o futuro de revistas, sites etc seria brilhante se focássemos sempre a mesma “meia-dúzia de 3 ou 4”.
Outros ítens a considerar:
- “o impacto negativo de publicar-se anúncios que promovam produtos sem-marcas, em revistas direcionadas a consumidores e aos negócios”. Eu já vi anúncios de fábricas de tábuas oferecendo serviço, mas não me lembro de ter visto alguém relacionando a sua produção aos blanks de maneira escancarada, embora quem leia nas entrelinhas entenda que é isso mesmo o que eles queiram. Agora adivinhe você quem são os maiores “chorões” de desconto de anúncios – e quem são os que pagam com menos descontos… Vou fingir ignorar o fato de referirem-se a skatistas como “consumidores”, apenas;
- “a necessidade de product reviews (= análises de produtos) de marcas que apóiem as revistas e a indústria”. Puxa, obrigado por “ensinarem os padre a rezarem a missa”, não sei o que seria de nós sem isso…;
- “a necessidade de segmentos sobre a fabricação de decks e a diferenciação entre os produtos”. A TRIBO já fez isso há muitos anos atrás; adivinhe quais eram as páginas que ninguém se interessava em ler?!;
- “o impacto negativo em se publicar fotos de pessoas usando tábuas sem artes”. Vamos combinar? Primeiro analisem o impacto negativo em se fabricar produtos que quebrem no primeiro rolé, e depois a gente conversa. Falar mal da mídia é mole, quero ver é nos pagar o que merecemos;
- “a sua equipe editorial realmente avalia a quem dá cobertura, e se eles estão fazendo a diferença?” Puxa, os caras não perdem a mania de nos ensinar a trabalhar. Fico imaginando qual seria a reação deles se eu os ensinasse a fabricar tábuas – olha que já trabalhei no meio…;
- “concentrar-se nos pros mais conhecidos e transformá-los em heróis”. Não vou me repetir, mas veja você os fatos e vá somando. Ser skatista profissional sempre foi pra uma elite, mas nunca o foi como é hoje em dia. Junte-se a isso a geração menos carismática de pros da história do skate, na sua maioria; adicione-se ainda manobras muito complicadas, que são executadas por uma elite apenas; inclua ainda os preços de tábuas, que nunca foram tão caras. O resultado é um só: desastre.
Quem tem pouca grana, pensa com o bolso antes de usar a consciência. Sempre foi assim, e sempre o será, até o fim dos tempos. O que não dá é conclamar por uma “consciência coletiva” sem vir com argumentos míopes, que só enxergam um lado da questão.
Assim que o “Under Fire” foi publicado, enviei um mail pra IASC e TWS Biz no qual disse o seguinte:
“Durante cerca de 15 anos, a indústria de skate fez o mundo acreditar que só havia um tipo de skatista apenas – menino, streeteiro, entre 12 e 18 anos de idade. Só que as outras modalidades sempre existiram e, agora, vendem mais do que o street. E não colocam tanta importância assim a pro models, modas e hype, seguindo com a preocupação única de quebrar os seus próprios limites – e divertir-se. Por favor, comente a afirmação acima”.
É claro que ninguém me respondeu. E eu não esperava outra coisa. Enquanto a indústria for a bruxa má, que se olha no espelho e se vê como a mulher mais bonita do mundo, não vai ter jeito. Lembre-se que, na fábula, a Bela Adormecida despertou. Na vida real, os skatistas também acordaram.


Comentário por luiz de jesus gomes — 24 de julho de 2007 (13:40)
muito punk o comentario do guto legal valeu pense!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!