14
de
setembro
Absurdo em São Bernardo do Campo
Uma das figuras mais queridas do skate feminino brazuca, a veterana Mônica Polistchuk foi vítima de um absurdo que pode ser classificado no mínimo como fascista. E o pior, o lance aconteceu no "quintal" dela, a reformada Pista de SBC.
Ela foi impedida de andar no novo halfpipe daquela pista simplesmente porque se recusou a dropar direto da plataforma sem se aquecer previamente, conforme queria um dos "monitores" que infestam o pico. Não houve jeito de convencer o cretino do absurdo de sua determinação, que encerrou a diversão de domingo da gracinha paulista.
Reproduzo abaixo o relato dela sobre o incidente lamentável:
Quando cheguei ao half, estavam só o C. (vert pro), dois meninos e um adolescente; aí eu pedi permissão pra eles e dei umas batidas, esperei a minha vez e fui de novo. Até comentei com um amigo que ia me aquecer mais uma vez e droparia da plataforma, pois o half é grande e exige uma velocidade que só dropando pra atingir. Foi quando o cara gritou o meu nome da plataforma e disse:
- MÔNICA, SAI DAÍ E SOBE AQUI!
Eu falei: eu? Pois não?
Ele: Você não pode andar aqui!
Eu: Por quê?!
Ele: Porque você não está de equipamento e não dropa! Você está sem cotoveleira e não pode entrar por baixo do half, tem que dropar!
Eu: Ok, eu pego a cotoveleira que está na mochila e me aqueço um pouco pra dropar.
Ele: Não, você vai dropar agora sem aquecimento!
Eu: Ridículo, cara! Você é político e eu sou skatista, você quer ter a moral de fazer política onde não existe!
Ele: Eu não sou político coisa nenhuma! Isso é lei, está no site e foi aprovada pela câmara de São Bernardo.
É lógico que o caldo entornou e a corda acabou arrebentando do lado mais fraco - no caso, a Mônica. Injuriada com o ocorrido, pegou as suas coisas e foi se divertir em outro lugar.
Além da cretinice da atitude do monitor em si, esse acontecimento traz incluída uma imensa injustiça contra a Mônica, uma pioneira do skate feminino no nosso país. Ela anda de skate desde os "anos negros" do início da década de 80, e sempre marcou presença em todos os campeonatos que pôde entrar - competindo entre os homens, que fique bem entendido. O seu destaque no vert chegou a tal modo que ela foi dublê da Xuxa nas cenas de skate do filme "Lua de Cristal", que é o maior sucesso da carreira cinematográfica da loura global.
E como se não bastasse ser uma skatista e uma gracinha de pessoa, Mônica também é uma chef de cozinha com experiência internacional. Ela já morou na Europa durante anos, hipnotizando os gringos com suas exóticas e deliciosas receitas, uma das quais o tiozinho aqui já teve o privilégio de provar recentemente "en petit comitè" num niver em SP.
Independente de terem mexido com uma amiga querida, essa palhaçada não poderia deixar de ter sido divulgada. A mim, não surpreendeu a falta de preparo do monitor idiota, mas sim a indiferença do vert pro presente ao local, notório por sempre lutar por seus direitos com unhas e dentes. Pelo visto, pro cara deve valer aquela atitude de "se não é comigo, não to nem aí". Lamentável…
Bem dizia Confúcio: "para se conhecer o real caráter de uma pessoa, basta dar-lhe um pouco de poder ou uma posição privilegiada". Mais de 3000 anos depois, é triste constatar que alguns seres humanos não falham: estendem a mão - para empurrar.

