17
de
janeiro
SE VOCÊ NÃO GOSTA DE SKATE, AQUI NÃO É SEU LUGAR!
Por Rennê Nunes
Após todos aqueles votos de esperança de paz do ano novo, o dia 2 já começou meio esquisito pro meu lado. Meu camarada Bruno, o Daguess, que grande parte de vocês deve conhecer, me chamou pra dar um rolezinho aqui na nova pista de skate de Campinho, perto da nossa casa. Muito ruim a pista, diga-se, lamentavelmente, de passagem.
Nem tava com meu skate em casa e resolvi ir só pra dar aquela gastada, tomar uma cerveja e trocar aquela idéia com um grande amigo. Foi o que fizemos: sentamos num boteco e tomamos algumas e depois fomos praticamente expulsos pela água com sabão que vinha de dentro do chão do bar invadindo a calçada. Resolvemos terminar aquela conversa lá na pracinha do skate mesmo.
O Daguess começou a fazer um solinho junto com a molecada que lotava a pista naquela noite quente de quarta-feira. Estava sentado no banco curtindo a sessão e saboreando minha cerva quando percebi duas garotas sentadas do meu lado, no mesmo banco. Não passavam dos 16, as duas.
Daqui a pouco me chega um camarada de bicicleta acompanhado por outro a pé e encosta do lado das meninas e começa a falar gracinhas pra elas. Até aí quem tava achando graça era eu. Só parei de rir quando a gracinha do malandro passou do limite:
- Vocês gostam de skatista? - pergutou ele às meninas.
Nem esperou a resposta e já foi insistindo:
- Odeio skatista! Pra mim skatista é tudo babaca, otário…
Aí fui eu que não esperei se quer ele cuspir a terceira abobrinha:
- Rala maluco! Aqui não é o seu lugar!!!!! - disse já num tom bem agressivo.
- A praça é publica - disse ele numa tentativa de me encarar e impressionar as donzelas.
Tomou-lhe um empurrão exatamente no momento em que o Daguess já chegava para lembrá-lo que era bem melhor que ele fosse embora porque se não as coisas podiam ficar piores pro lado dele. Acho que o cabeça de camarão entendeu. Pegou sua bike, enfiou a viola no saco e meteu o pé.
Não tô contando essa história pra tirar onda nem coisa parecida. Quem me conhece sabe que dou uma boiada e pago à vista para evitar qualquer atitude violenta. Mas foi mais forte que eu. Quando dei por mim já estava empurrado o cara de cima da bicicleta.
Depois do episódio, a noite que até então era boa, virou meio que um pesadelo. O Bruno parou de andar de skate, eu quis ir embora, enfim, um estresse que nos consumiu e, particularmente, me deixou irado. Com a situação e com a minha reação.
Foi a primeira vez que saí do sério por causa do skate. Talvez eu ainda não tenha e nem sei se algum dia vou ter a exata dimensão de quanto esse pedaço de madeira com dois eixos e quatro rodinhas significam pra mim.
Conversando com o Guto, ele me motivou a escrever esse relato e aguardar para ver quantas pessoas já passaram por situações semelhantes.
Agora, se você chegou até essa linha do texto, mas não gosta de skate, pode até continuar a ler e se quiser pode até comentar. Mais uma coisa é importante lembrar: RESPEITO É BOM E CONSERVA OS DENTES.
Se ainda sim estiver insatisfeito, é melhor meter o pé antes falar merda. AQUI NÃO É SEU LUGAR!!!
http://www.penseskate.net/index2.phtml?link=home.php
http://www.fotolog.com/penseskate


Comentário por Wilbor — 17 de janeiro de 2008 (2:25)
Eu percebi que ali tem uns caras que são recalcados com o skate.
Quando eu andei lá com o pizza um sentou no banco que eu estava mandando uns rockslides.
Dai eu mandei com ele sentado e acertei bonito sem encostar no babaca!
Comentário por Pé de Bola — 28 de janeiro de 2008 (20:13)
Essa não foi a primeira vez que vc perdeu a cabeça pelo skate, e sim, umas das milhares de ações feitas PRO Skate…parabéns…quem mandou ele se meter com pepino?
Comentário por Guto JImenez — 29 de janeiro de 2008 (17:00)
Pior é qdo se fica + velho e vêm uns pregos querendo tirar uma onda errada: “po, vc ainda anda de skate com essa idade?!” Curioso isso… Vc vê inúmeros coroas surfando, jogando bola, vôlei na praia, peteca, frescobol, bocha, dominó na praça. NINGUÉM fala nada… Mas o skate tem ainda o estigma de ser “brincadeira de criança” ou “diversão de adolescente”.
Por + incrível q possa parecer, alguns skatistas tb têm a sua dose de preconceito por quem é “diferente” da regra. Aproveito a deixa pra relatar algumas das perguntas q vêm sido feitas a mim nos últimos anos, já acompanhadas de minhas respostas tradicionais:
- “Vc sabe dar flip?”
- Não, graças a Deus.
- “Pq o seu skate é diferente?”
- Pq eu não sou igual a vc.
- “Pra q usar rodas tão grandes?”
- Pra andar rápido; se fosse pra andar devagar, eu nem sairia de casa…
Comentário por Rennê Nunes — 30 de janeiro de 2008 (1:20)
rs
Já tava sentido falta dos seus pitacos Guto!
O pior é que eu também venho sofrido algumas reprovações por estar buscando outros tipos de skate.
Outro dia recebi um olhar meio torto de um amigo streeteiro quando disse que não curtia mais andar na XV porque não tinha muita curva.
VIVA A LIBERDADE! VIVA O RESPEITO!
Comentário por BRUNO FUNIL — 6 de maio de 2008 (3:03)
To com 33, mas até uns 10 anos atrás não éramos muito pacíficos lá no Méier rsrs…tinham caras que mandavam as mesmas gracinhas e ficavamos putos quando percebiamos que alguns amigos skatistas eram tirados como otários em suas localidades…depois de algumas porradas espetaculares (na mão, coisa antiga) envolvendo alguns de nós, outros grupos da mesma área se ligaram que não era saudável mexer com quem estava quieto. E apesar de termos feito muita besteira, não me lembro de provocarmos ninguém primeiro…impomos nosso respeito pela força, atualmente não acho isso legal, mas fazer o que contra uns idiotas que queriam tirar onda com nossa cara? Porrada neles! tomara que meus alunos não leiam isso hehehehe…
Comentário por flow — 19 de novembro de 2008 (12:09)
olha, primeiramente um salve para a galera que pratica e se diverte com a modalidade da casa, aqui em curitiba tambem rola muito esse negocio de preconceito, mas o certo é que vivo no meio de tanta gente que me detesta por causa do skate… , esses dias um vizinho estava falando pra minha mãe queimar meu carrinho, eu desaforado saindo da um ralé aqui na minha. city na hora q sai lá fora o vizinho mudou a conversa…
eu sem perguntar nada já fui agredindo verbalmente…. taquei uma garrafa de vinhi campo largo nele … e sai com o skate no pé mostrando o dedo do meio.. , Pior de tudo o que esses filha da puta , bando de pela saco tem contra a gente.. só digo uma coisa, fale bem, fale mal , mas fale de mim.. isso só alimenta mais minha coragem..! vlw galera desculpe qualquer coisa mó satisfação estar junto com vcs nessa caminhada…!