PENSE SKATE, MAS NÃO SEJA BURRO!

Esse é o blog oficial da revista PENSE SKATE. Fique à vontade para dar um rolé.

24

de
julho

DECK DISC 10 ANOS - HARDCORE, SKATE E NOSTALGIA

Por Artur Kjá*

Fui convocado pela Pense para cobrir o show de 10 anos da Deck Disk, que conta com diversas comemorações, sendo divididas por gêneros e locais. Eu, hardcore até os ossos, fui para assistir o primeiro set: Matanza, Dead Fish, Mukeka di Rato + Ratos de Porão e Cólera, no Circo Voador. Ótimo início de comemoração!

Para me acompanhar nessa viagem ao passado e aproveitando a reunião de dois ícones do punk hc, que muito agitaram minha juventude, convoquei a minha antiga galera de skate, a turma da Coronel Cota, rua do Méier que durante anos foi o pico e celeiro de skatistas com uma atitude acima da média do Rio.

Quem andou de skate nos anos 90 conheçe bem essa galera que citei… Norte Shopping, Monumento, praça XV… Funil, Lampião, Top, Bob… Além dos agregados, tipo Sabá, Rato, Grosso… Estávamos em todos os picos, sempre no melhor estilo ‘Alva Boys’, com atitude, skate e ação em nossas sessions… Puta bons tempos! Era skate de alma, pois não tinhamos um fluxo de campeonatos, vídeos, sites, e nem nomes fortes no mercado mundial, diferentemente de hoje, onde já ví até pessoas que começam a andar pensando em patrocínio, viagens, Europa… Nem de longe tem a verdadeira alma do skate: a ATITUDE HC.

(Ilustração por Artur Kjá)

Essa família que se criou entorno do Skate, se mantém unida e evoluindo sempre, mostrando que o skate é muito mais do que esporte, e que as amizades criadas nesse berço transcedem níveis socioculturais, ajudando no crescimento com ser humano. Foram ao show comigo: RA, Funil, Urco, Orelha, Sonek, Top, Grosso e Sabá. Ou seja, advogados, empresários, artistas e um mestre.

Chegando na Lapa, de cara vejo a força que o Hardcore mantém, já que o evento, numa noite de quarta, contou com filas enormes formadas por punks (a maioria criada a leite ninho), skaters, velhos skins, lutadores, além das entidades que normalmente freqüentam o local. É interessante ver que a molecada, por mais que seja sobrecarregada de pagode, axé e bate-bundinhas, ainda consegue se blindar com músicas que tem conteúdo e mensagens, mostrando que ainda temos esperança de uma nova juventude, cada dia mais consciente e atuante.

Entro no pico aos primeiros timbres do MATANZA, já que os eventos que circulam o Circo levaram diversas cocotas ao redor, deixando nosso olhar vagando por bundas e peitos, única coisa de bom que a merda de pagode e funk deixaram de cultura…hahahahah… Mas ao primeiro acorde, minha verve hc me conduz ao epicentro do show.

(registro feito por celular)

Chegando lá tenho a impressão que o evento será uma noite de pseudos-hardcores, ouvindo pop-punk e achando tudo isso muito agressivo, pois estava muito lotado e o pogo era apenas um empurra-empurra. Porém, essa impressão é desfeita logo no início do Dead Fish, que incentivou um pogo agressivo, esquentando cada vez mais o abarrotado Circo Voador.

Minha idade tenta me enganar, me deixando cansado após o Dead Fish abrir um corredor no estilo ‘baile funk’ onde a horda ensandecida, que a cada minuto me conquistava mais, se degladiou sempre com muito pogo e diversão. Dou uma pausa no início do Mukeka para uma cerva e cigarrinho… Aproveito para ver a fauna do local, e vejo como cresceu o número de fêmeas que decoram o Circo. OBRIGADO MTV!!! Pin-ups, Junkies, Pop-Punks-Peitudas… a diversividade feminina é um colírio para os olhos vermelhos!!

Durante o relax, percebo a mudança de tom no vocal do Mukeka.. Inconfudível: é o GORDO!!!! Corro para a roda, que nesta altura já ganhou o meu aval como autêntica, e me jogo ao som de Crucificados pelo Sistema… foda! Mesmo sem a banda, a presença marcante de João no palco, levemente alcoolizado, empolga e dá vida ao pogo, deixando a galera preparada para o grande show da noite.

No início do Cólera, fica visível a mudança de público no pogo, aparecendo anarco-punks e gangues HC que estavam esperando o momento certo para entrar em ação. Tretas, sangue, porrada seca e caos imperam no pogo agora.

Apesar da minha canseira, me mantenho ativo no meio do pogo, mantendo viva a tradição do skate do Méier, que sempre esteve no frontline da ação no Circo. Cotoveladas, demarcação de território e respeito pela minha pessoa fecham a minha atuação no pogo, já que, mesmo velho, muitos ainda lembram da minha versão ‘não-tão-legal’ na roda. Afinal são 18 anos de pogo e hardcore, sendo seis com banda, que ficaram marcados na memória e na pele de muita gente.

É foda ver uma nova geração com o mesmo espírito HC de antigamente, fazendo a tradição dos shows do Circo se manter viva. Espero muito que aconteça o mesmo no skate, que a nova geração busque no esporte o tesão e estilo de vida, e não apenas pensando em sugar o momento, ou em se profissionalizar.

Skate, assim como Hardcore, tem que vir da alma, e não comprar na loja do shopping mais próximo.

Depois dessa noite, o grito do Cólera ainda vai ecoar por muito tempo na minha mente: AAAaaaaa… AAAaaaaa… AAAaaaaa… ADOLESCENTE!!!!

*Artur Kjá é uma mente hardcore criativa que se manifesta através da arte.

Mais em:

http://kja.carbonmade.com/about
http://hc1506.wordpress.com

http://www.hc1506.com
http://www.interludio.tk
http://www.guerrilha.net
http://www.penseskate.net
http://www.zupi.com.br

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17

de
julho

CUIDE-SE

Por Rennê Nunes

Certo dia fui surpreendido por um e-mail diferente dentre os vários que o site da Pense Skate recebe diariamente. O remetente era ninguém menos que Marcelo "Marbal", skatista carioca de grande destaque na década de 90, que junto com  a galera da extinta skate park MHS, movimentava a cena do skate do Rio naquele período. A mensagem do Marbal que segue abaixo nos faz refletir muito a respeito do jeito que lidamos com a nossa saúde e a saúde do nosso habitat, tema que está em pauta em qualquer discussão desses intermináveis dias pós-modernos. É de parar, pensar e refletir.

"Sabe o que é compartilhar bons sentimentos em pensamentos a outras pessoas, ou  até mesmo ao mundo ou quem sabe ao cosmos também? Ando a pé, ando no ônibus, ando  para o trabalho, ando para a serra, para a praia, para encontrar com minha esposa  e meu filho mas…Não ando mais de skate sabe porquê? Porque eu não me cuidei quando me machucava, se torcia o pé e tinha um champ no próximo final de semana,  eu arrancava o gesso e mesmo com dor eu ia andar…Andar é a melhor palavra  porque skatista carioca não competi, brinca de andar com os amigos e comforme eu  fui me lembrando dessas coisas…eu chorei. Um dia eu chorei por não ter mais  saúde para dar um rolé pelo menos no final de semana…dentro do ônibus, naqueles  dias em que vc está conectado com a onipotência do que tudo faz surgir, faz  surgir eu, você, os animais as plantas, o sol, os átomos…Que a paz desta  onipotência reine nos corações não só dos skatistas, mas também que está paz  esteja em todo o lugar, na África, na Europa, na Ásia, nas Américas, onde a fome  chegar, que possa em cada um daquele que ler esta mensagem, seu pensamento fluir  para o que pretendemos: A PAZ, A UNIÂO, A COMPREENSÂO E AO MEIO AMBIENTE, AFINAL  ELE TAMBÉM MERECE POIS O QUE SERÁ DE NÓS SE A QUALIDADE DE VIDA CAIR EM FUNÇÃO DAQUELES QUE NÃO CUIDAM. PENSE SKATER."

Um abraço, Marcelo "Marbal"

 

VEJA TAMBÉM

www.copariodeskate.com.br

www.penseskate.net

www.fotolog.com/penseskate

Comunidade Copa Rio de Skate Amador 2008

Comunidade Pense Skate

 

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