PENSE SKATE, MAS NÃO SEJA BURRO!

Esse é o blog oficial da revista PENSE SKATE. Fique à vontade para dar um rolé.

30

de
outubro

O FUTURO JÁ COMEÇOU

Por Guto Jimenez  Foto Fernando Martins

Responda rápido: qual notícia relativa ao mercado de skate é a mais impactante desse ano?!

a) A premiação recorde do Maloof Money Cup, a maior em eventos de esportes de prancha de todos os tempos;
b) A compra da Alien Workshop pela Burton, marca de snowboard;
c) O lançamento dos produtos assinados pelo Shaun White pela Target, rede de varejo americana;
d) A queda abrupta dos lucros da Volcom Q2;
e) A compra da Sector 9 pela Billabong, gigante do surfwear.

Pode cravar a letra E sem a menor dúvida.
“Como assim?!”, você se perguntará. Calma que eu explico melhor… 
A letra "E” é o fato mais relevante que aconteceu no mercado de skate não só nesse ano, mas dos últimos tempos também. Nesse século, somente o lançamento do filme “Dogtown and Z-Boys” pode ser comparado em termos de impacto de mídia e mercado. Não se esqueça de que, após o documentário vencer o Sundance Festival em 2002, o mundo e a grande mídia “descobriram” que existem skatistas veteranos que fizeram história – e uma boa parte da mídia especializada também, aliás… A partir daí, outras modalidades como o vert em pistas de concreto, slalom e até mesmo o speed começaram a ter muito mais portas abertas em termos de praticantes, eventos e mídia. Muito mais mercado, enfim.
Alguns fatos isolados anteriores ao anúncio da aquisição da marca já davam a entender que o mercado estava se movimentando numa direção no mínimo diferente da qual vem rumando nos últimos 15 anos: o midas Tony Hawk lançou um game só de downhill speed – e ele jamais entra numa furada comercial; algumas provas de speed na Europa têm transmissão de TV – coisa impensável há alguns anos; a WCS vem promovendo muito mais eventos de bowls do que os que seguem o fatídico formato “street-e-half”…
Seria tudo isso uma mera coincidência?! Claro que não. “No mundo dos negócios, não existe almoço de graça” – pelo menos, sem que aquele que esteja pagando não veja uma perspectiva muito animadora à sua frente.
Agora olhe de novo pra letra E lá em cima, e leia as entrelinhas. Você acha mesmo que isso somente dirá respeito aos donos da Sector 9?! Nada disso! As consequências serão impactantes pro mercado de skate de um modo geral, e não somente pro mercado de longboards. Estamos falando da Billabong, uma das maiores empresas de surfwear do mundo. Os mesmos que, após terem comprado a Element, a fizeram tão popular a ponto de a marca ser uma das favoritas dos camelôs de camisetas piratas em todo o mundo. Os mesmos que transformaram os relógios Nixon e as roupas da Von Zipper em objetos de desejo por gente de bom gosto de todo o planeta. E isso só acontece com quem tem não só muito estilo, mas uma eficiente máquina de marketing trabalhando sem parar nos bastidores.
Agora pergunte-se se as outras corporações gigantes que vêm investindo pesado no skate vão ficar só olhando a Billabong deitar e rolar; acho que nem preciso dar a resposta, né não?! Nike, Adidas, Quiksilver, a já citada Burton e muitas outras corporações estão, no mínimo, com as sobrancelhas levantadas prestando muita atenção nesse movimento inusitado de peças no tabuleiro do mercado de skate. Fica claro que a Billabong irá investir pesado na marca, que a tornará muito mais acessível ao público através da imensa rede de distribuição da marca e que a fará ir mais longe em termos de divulgação e marketing.
É lógico que os outros não irão ficar só olhando a Sector 9 encher mais os cofres dos seus novos donos. Sabendo-se que o lucro agregado de produtos de longboard é muito superior aos ligados ao street, é óbvio que as outras corporações muito em breve estarão também “indo às compras”. E isso será impactante pro cenário de skate, de uma maneira jamais vista antes.
Não duvide de minhas palavras; eu não sou um sabe-tudo nem muito menos adivinho, mas já vi muito chão passar embaixo das rodas. Desde que comecei a andar de skate, em meados dos anos 70, que venho acompanhando que alguns fatos marcantes vêm acontecendo com uma certa frequência na história do carrinho. Primeiro foi a invenção do uretano, que tornou as rodas finalmente seguras e controláveis e fez o skate ficar muito popular ao redor do globo; depois, quando o skate estava em baixa no iníco dos anos 80, surgiu a Thrasher pra ajudar a levantar o cenário e trouxe o mercado a reboque. Mais uns anos adiante, o surgimento do conceito de “street wear” levou a moda do skate aos não-skatistas pela primeira vez, de maneira definitiva como vemos até hoje. O vert dominou o cenário por anos e “morreu”, quase matando o skate também no início dos anos 90…
… E a partir daí, o cenário de skate virou-se pro lado do street e o mercado expandiu-se a níveis jamais antes vivenciados - e ficou estagnado como jamais o havia sido em toda a sua história. O mercado parece que havia achado a “galinha dos ovos de ouro” quando o street passou a ser a modalidade favorita dos moleques em todo o mundo; afinal, menos material era gasto pra se fabricar tábuas, eixos e rodas, mas os preços continuavam os mesmos… Era tudo o que o skate precisava naquele momento, dar a opção dos moleques poderem simplesmente botarem os carrinhos nas ruas e andarem, sem precisarem ir a lugares especialmente feitos pra se andar de skate cujos custos de manutenção e seguro passaram a ficar inviáveis. Quando grandes corporações abriram os olhos pra movimentação, e começaram a investir (e jogar) pesado no mercado de skate, as consequências vieram da maneira mais visível possível – os Xgames.
O mercado adorou tudo isso. E cometeu o seu pior erro, ficando acomodado. Ficou cego às maiores e melhores características do skate - criatividade e diversidade. Ficaram pensando que todo skatista é um moleque de menos de 18 anos que pratica street…
Só que, como o pior cego é aquele que não quer ver, nem alguns evidentes sinais isolados fizeram com que o mercado acordasse. Os próprios Xgames, por exemplo – a audiência maior sempre é nos eventos de vert, pois o público leigo jamais conseguiu entender o street. O já citado filme “Dogtown and Z-Boys”, que gerou uma versão blockbuster de Hollywood. A valorização dos veteranos, o retorno das pistas de concreto ao redor do mundo, a revalorização de modalidades como o downhill speed e o slalom… Não faltaram indicações de que um movimento diferente estava mexendo com o mercado de skate.
E, agora, a Billabong comprou a Sector 9.
O encanto do mercado com o street parece estar chegando ao seu fim.
Os longboards estão tomando os seus lugares ao sol com força total. Tomara que a variedade de modalidades, praticantes e estilos façam com que o cenário de skate reaprenda a cultivar e valorizar aquilo que o skate tem de mais positivo – a diversidade. Como se se ouvisse um grito coletivo de “chega!” pro atual estado das coisas.
Como diz aquele jingle meio brega de fim de ano, “o futuro já começou”. O tempo nem volta atrás e nem espera ninguém. Se você jamais pisou num longboard na vida, é mais do que hora de experimentar. Abra a sua mente – e o seu coração irá na mesma direção.

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14

de
setembro

Absurdo em São Bernardo do Campo

Por Guto Jimenez

Uma das figuras mais queridas do skate feminino brazuca, a veterana Mônica Polistchuk foi vítima de um absurdo que pode ser classificado no mínimo como fascista. E o pior, o lance aconteceu no "quintal" dela, a reformada Pista de SBC.

Ela foi impedida de andar no novo halfpipe daquela pista simplesmente porque se recusou a dropar direto da plataforma sem se aquecer previamente, conforme queria um dos "monitores" que infestam o pico. Não houve jeito de convencer o cretino do absurdo de sua determinação, que encerrou a diversão de domingo da gracinha paulista.

Reproduzo abaixo o relato dela sobre o incidente lamentável:

Quando cheguei ao half, estavam só o C. (vert pro), dois meninos e um adolescente; aí eu pedi permissão pra eles e dei umas batidas, esperei a minha vez e fui de novo. Até comentei com um amigo que ia me aquecer mais uma vez e droparia da plataforma, pois o half é grande e exige uma velocidade que só dropando pra atingir. Foi quando o cara gritou o meu nome da plataforma e disse:

- MÔNICA, SAI DAÍ E SOBE AQUI!
Eu falei: eu? Pois não?
Ele: Você não pode andar aqui!
Eu: Por quê?!
Ele: Porque você não está de equipamento e não dropa! Você está sem cotoveleira e não pode entrar por baixo do half, tem que dropar!
Eu: Ok, eu pego a cotoveleira que está na mochila e me aqueço um pouco pra dropar.
Ele: Não, você vai dropar agora sem aquecimento!
Eu: Ridículo, cara! Você é político e eu sou skatista, você quer ter a moral de fazer política onde não existe!
Ele: Eu não sou político coisa nenhuma! Isso é lei, está no site e foi aprovada pela câmara de São Bernardo.

É lógico que o caldo entornou e a corda acabou arrebentando do lado mais fraco - no caso, a Mônica. Injuriada com o ocorrido, pegou as suas coisas e foi se divertir em outro lugar.

Além da cretinice da atitude do monitor em si, esse acontecimento traz incluída uma imensa injustiça contra a Mônica, uma pioneira do skate feminino no nosso país. Ela anda de skate desde os "anos negros" do início da década de 80, e sempre marcou presença em todos os campeonatos que pôde entrar - competindo entre os homens, que fique bem entendido. O seu destaque no vert chegou a tal modo que ela foi dublê da Xuxa nas cenas de skate do filme "Lua de Cristal", que é o maior sucesso da carreira cinematográfica da loura global.
E como se não bastasse ser uma skatista e uma gracinha de pessoa, Mônica também é uma chef de cozinha com experiência internacional. Ela já morou na Europa durante anos, hipnotizando os gringos com suas exóticas e deliciosas receitas, uma das quais o tiozinho aqui já teve o privilégio de provar recentemente "en petit comitè" num niver em SP.

Independente de terem mexido com uma amiga querida, essa palhaçada não poderia deixar de ter sido divulgada. A mim, não surpreendeu a falta de preparo do monitor idiota, mas sim a indiferença do vert pro presente ao local, notório por sempre lutar por seus direitos com unhas e dentes. Pelo visto, pro cara deve valer aquela atitude de "se não é comigo, não to nem aí". Lamentável…

Bem dizia Confúcio: "para se conhecer o real caráter de uma pessoa, basta dar-lhe um pouco de poder ou uma posição privilegiada". Mais de 3000 anos depois, é triste constatar que alguns seres humanos não falham: estendem a mão - para empurrar.

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7

de
julho

SKATE NAS OLIMPÍADAS?! NÃO, OBRIGADO!

por Guto Jimenez

Há uns dias, eu recebi um email de um amigo muito bem relacionado lá dos EUA, que me passou uma notícia que me deixou um bocado apreensivo e bem puto até. Traduzo literalmente parte do conteúdo:
“Pode começar a ficar indignado: alguns dos dirigentes mais influentes do COI reuniram-se com a ICU (International Cycling Union, a União Internacional de Ciclismo - ?!) e deliberaram pela inclusão do skate como esporte olímpico a partir de 2012.” Uns dias depois, a bomba saiu até no New York Times: a ICU irá “adotar” o skate até o fim do mês como sub=modalidade (!), adequá-lo aos critérios olímpicos (!!) e, em 2 anos, organizar o esporte mundialmente (!!!). Estranhamente, a WCS ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Não é de hoje que esse assunto ronda o meio do skate. Desde que alguns skatistas fizeram uma demo no encerramento das Olimpíadas de Atlanta, em 1996, que vira e mexe essa pauta retorna à discussão. Tudo bem que aquela foi a demo de skate que teve a maior audiência da história (cerca de 1 bilhão de telespectadores) – mas mudou alguma coisa pro cenário?! Uma outra dica de que o assunto poderia retornar à pauta foi a apresentação de slalom na abertura dos últimos jogos de inverno em Milão, há pouco mais de um ano. Nem assim a ISSA (International Slalom Skateboard Association) teve maior facilidade em organizar o circuito mundial da modalidade.

Meu camarada sabe que eu sempre fui contra essa coisa. A única coisa de positiva que vejo, numa hipotética inclusão do skate como modalidade olímpica, seria que os governos poderiam construir cada vez mais pistas pra prática de mais um esporte que disputa medalhas. Só isso e nada mais. Esse aspecto, inclusive, me foi exposto por um dos grandes defensores da idéia, o atual tetracampeão mundial de vert Sandro Dias, numa das últimas vezes que nos encontramos. Eu admito que é um ótimo motivo, ainda mais no Brasil, mas não o suficiente pra me fazer mudar de idéia.

Por quê sou contra? Primeiro porque todo esporte olímpico individual tem critérios de julgamento determinados e pré-estabelecidos; ou seja, cada manobra ou movimento tem a sua própria cotação. Aí eu pergunto: como determinar que um switch heelflip backside boardslide, por exemplo, seria melhor que outro?! Se os juízes de skate até hoje cometem decisões polêmicas, é esperar demais que tomem jeito de uma hora pra outra só porque o skate faz parte da competição dos 5 anéis.

Outra coisa que acho muito estranho em algumas dessas modalidades olímpicas é que existem movimentos obrigatórios; essa esquisitice também já assolou o skate em priscas eras. Lembro que, nos anos 70, as disputas de freestyle continham manobras obrigatórias – se não me falha a memória, eram tail e nose wheelies, walk the dog, space walk e 360s. Tentou-se fazer o mesmo com o vert, mas não deu certo. Fico imaginando quais manobras poderiam ser obrigatórias no skate ao nível que está hoje em dia… Sem falar que esse critério é extremamente limitador à criatividade do praticante, seja de qual esporte for.

Esses são só alguns dos aspectos técnicos que eu abordo aqui, mas a coisa vai muito além disso. Eu ouso dizer que o COI está buscando uma espécie de renovação do interesse dos patrocinadores dos jogos olímpicos de verão, da mesma maneira que fizeram com as olimpíadas de inverno ao adotarem o snowboard como modalidade olímpica. Antes da adoção, a FIS (Federação Internacional de Ski e Snowboard) considerava o snowboard como uma mera “distração de adolescentes”, e fazia competições bem nas coxas e cheios de má vontade. A molecada começou a considerar o esqui como coisa de mauricinhos ou velhos, o esporte foi crescendo e tornou-se o que mais crescia (e vendia) dos esportes de inverno… e a FIS teve de enfiar a viola no saco. Outra entidade foi formada pra regular o snowboard, o COI adotou as pranchas de neve, os jogos de inverno foram salvos e todos viveram felizes para sempre.

Qualquer semelhança com o skate NÃO terá sido mera coincidência. O COI não adotou o bicicross como modalidade olímpica à toa, mas sim como maneira de atrair a atenção dos jovens aos jogos olímpicos; isso quer dizer mais audiência pras redes de tv, mais grana a ser cobrada dos patrocinadores - mais interesses comerciais satisfeitos, enfim. Os bikers estão sendo usados como cobaias e nem ligam, afinal qualquer divulgação é lucro pra quem tem pouca exposição na mídia e/ou vive na carona do skate nos eventos de tv.

Outro argumento em defesa da inclusão do skate como modalidade olímpica é aquele velho “pense na divulgação que o skate possa ter”. Ué, o skate já não tem divulgação suficiente?! Tirando o futebol e o basquete, quais outros esportes olímpicos têm a mídia, mercado, a quantidade de ídolos e o número de praticantes no mundo todo que o skate tem? Acho que você já deve saber da resposta.

O que me deixa mais indignado com essa atitude oportunista do COI é o fato deles, na sua arrogância, terem o displante de dizer que “o skate passará a ter a legitimidade, o reconhecimento e o status característicos de um esporte olímpico”. Como assim, cara-pálida?! Quem disse que o skate precisa de alguma coisa do COI?! O skate já é legítimo, reconhecido e tem o seu próprio status independente do que essa entidade esdrúxula e ultrapassada possa fazer. SEMPRE andamos com as nossas próprias pernas, descobrindo novos terrenos, formando e desenvolvendo novas modalidades; foi o nosso esforço que fez o skate se tornar o que é hoje em dia. Quando digo “nosso”, digo de skatistas de um modo geral, e não só dos grandes ídolos de todos os tempos.

Pra mim, isso é um oportunismo da pior espécie, motivado por um motivo simples: dinheiro. Não há um genuíno interesse esportivo nisso; o que acontece é que as redes de tv americanas vêm pagando cada vez menos pelos direitos de transmissão dos Jogos. Isso porque a juventude americana tem dado mais audiência a eventos esportivos de esportes de ação do que a disputas de esportes tradicionais, aí incluindo os 4 “jock sports” favoritos dos americanos (basquete, futebol americano, beisebol e hóquei no gelo) e as modalidades olímpicas. Como americano não paga nem um centavo a mais acima do valor do que quer que seja, a pressão vinha sendo formada e o COI teve de ceder. Como se diz nos EUA, “money talks and bullshit walks” – algo como “o dinheiro fala mais alto”.

Infelizmente eu já esperava por isso. Desde que o skate virou profissão, e muitos skatistas o passaram a encarar como uma mera escolha de carreira, que aguardo por isso. Mas nem assim consigo me conformar. E uma grande dúvida ronda a minha mente: será que, se o skate for aceito como esporte olímpico, ele será mais respeitado por pais, autoridades e quem quer que seja?

Não sei não. Acima de tudo, o skate é um estilo de vida antes de ser um esporte. Somos o tipo de gente que vai estar num lugar onde não era pra estarmos, numa hora em que ninguém esperava e fazendo aquilo que ou é proibido ou é inesperado. Podem fazer quantas pistas quiserem – nenhum corrimão, nenhuma parede, transição ou ladeira estarão a salvo. O fato de ser proibido nunca nos impediu de andarmos de skate onde quer que queiramos, na hora que quisermos, do jeito que desejemos.

Essa é a alma do skate, faz parte do DNA de cada skatista. Enquanto for assim eu digo: skate nas Olimpíadas?! Incluam-me fora.

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17

de
junho

SOB FOGO CRUZADO FINAL

por Guto Jimenez

A parte final do manifesto/estudo ‘Under Fire” se dedica a apontar as responsabilidades de cada um no mercado de skate. De fornecedores e fabricantes a distribuidores e lojistas, de fabricantes de tênis e roupas a pros e mídia, todos têm que tomar algumas atitudes urgentes pra que não se mate a “galinha dos ovos de ouro” de uma vez. Como acredito no lema que diz que “cada um com o seu cada qual”, analiso apenas o que diz respeito à minha atividade no meio do skate, que é de mídia.
Como a parte que toca a mídia é pequena, transcrevo integralmente fazendo os meus comentários:
“Ao mesmo tempo que é excitante ver novos rostos no meio, é muito importante realçar os pros e amadores mais relevantes pra que os garotos possam entender claramente quem são os líderes do skate”.
Peraí: o que é melhor pro meio, ver os mesmos skatistas sempre ou perceber que uma renovação é possível?! Será que tantos andariam de skate se não tivéssemos tantos pros e amadores diferentes, vindos dos lugares mais variados do mundo? Não sei se o futuro de revistas, sites etc seria brilhante se focássemos sempre a mesma “meia-dúzia de 3 ou 4”.
Outros ítens a considerar:
- “o impacto negativo de publicar-se anúncios que promovam produtos sem-marcas, em revistas direcionadas a consumidores e aos negócios”. Eu já vi anúncios de fábricas de tábuas oferecendo serviço, mas não me lembro de ter visto alguém relacionando a sua produção aos blanks de maneira escancarada, embora quem leia nas entrelinhas entenda que é isso mesmo o que eles queiram. Agora adivinhe você quem são os maiores “chorões” de desconto de anúncios – e quem são os que pagam com menos descontos… Vou fingir ignorar o fato de referirem-se a skatistas como “consumidores”, apenas;
- “a necessidade de product reviews (= análises de produtos) de marcas que apóiem as revistas e a indústria”. Puxa, obrigado por “ensinarem os padre a rezarem a missa”, não sei o que seria de nós sem isso…;
- “a necessidade de segmentos sobre a fabricação de decks e a diferenciação entre os produtos”. A TRIBO já fez isso há muitos anos atrás; adivinhe quais eram as páginas que ninguém se interessava em ler?!;
- “o impacto negativo em se publicar fotos de pessoas usando tábuas sem artes”. Vamos combinar? Primeiro analisem o impacto negativo em se fabricar produtos que quebrem no primeiro rolé, e depois a gente conversa. Falar mal da mídia é mole, quero ver é nos pagar o que merecemos;
- “a sua equipe editorial realmente avalia a quem dá cobertura, e se eles estão fazendo a diferença?” Puxa, os caras não perdem a mania de nos ensinar a trabalhar. Fico imaginando qual seria a reação deles se eu os ensinasse a fabricar tábuas – olha que já trabalhei no meio…;
- “concentrar-se nos pros mais conhecidos e transformá-los em heróis”. Não vou me repetir, mas veja você os fatos e vá somando. Ser skatista profissional sempre foi pra uma elite, mas nunca o foi como é hoje em dia. Junte-se a isso a geração menos carismática de pros da história do skate, na sua maioria; adicione-se ainda manobras muito complicadas, que são executadas por uma elite apenas; inclua ainda os preços de tábuas, que nunca foram tão caras. O resultado é um só: desastre.
Quem tem pouca grana, pensa com o bolso antes de usar a consciência. Sempre foi assim, e sempre o será, até o fim dos tempos. O que não dá é conclamar por uma “consciência coletiva” sem vir com argumentos míopes, que só enxergam um lado da questão.
Assim que o “Under Fire” foi publicado, enviei um mail pra IASC e TWS Biz no qual disse o seguinte:
“Durante cerca de 15 anos, a indústria de skate fez o mundo acreditar que só havia um tipo de skatista apenas – menino, streeteiro, entre 12 e 18 anos de idade. Só que as outras modalidades sempre existiram e, agora, vendem mais do que o street. E não colocam tanta importância assim a pro models, modas e hype, seguindo com a preocupação única de quebrar os seus próprios limites – e divertir-se. Por favor, comente a afirmação acima”.
É claro que ninguém me respondeu. E eu não esperava outra coisa. Enquanto a indústria for a bruxa má, que se olha no espelho e se vê como a mulher mais bonita do mundo, não vai ter jeito. Lembre-se que, na fábula, a Bela Adormecida despertou. Na vida real, os skatistas também acordaram.

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19

de
abril

SOB FOGO CRUZADO PARTE 2

“Assim o é, se lhe parece”. (William Shakespeare)

por Guto Jimenez

Então vejamos: de acordo com os fabricantes de tábuas pro models, comprar blanks e shop decks podem matar a “galinha dos ovos de ouro”, pelos motivos que vimos antes. Pensar só com o bolso, ao invés de fazê-lo com consciência, é um veneno que pode matar o mercado do skate da maneira que o conhecemos nos dias de hoje.
A questão que não quer calar é: a culpa é só de quem compra blanks e shop decks, seja quem for?

O que mais me chamou a atenção no manifesto da indústria de tábuas, o “Under Fire”, foi a cegueira coletiva de alguns que estão por trás do segmento. Veja alguns comentários:
“São os pros quem validam e definem a imagem de uma marca”. (Bod Boyle, Dwindle Distr.). Ué, primeiro a World Industries extingue os pro models – e agora ele reclama?! Quem com ferro fere…
“O mercado americano ainda está saudável, mas o mercado internacional tem sido muito afetado pela quantidade de produtos muito baratos sendo oferecidos”. (Chris Carter, DNA Distr.). Não é só por isso, cara-pálida: no mundo inteiro há cada vez mais praticantes de transições, downhill, slalom e freestyle, modalidades ignoradas por grande parte de fabricantes de pro models.
“Num mercado decadente, é muito importante ajudar e apoiar empresas que dão ao mercado força e personalidade” (Dan McGee e Joe Burlo, Blueprint). Ah, bom; se eu entendi direito, sob condições normais o que vale é a selvageria capitalista da concorrência desleal…
Já outros cabeças da indústria têm pensamentos bem conscientes, saque só:
“Embora eu goste do modelo de 7-ply (= 7 camadas), qualquer um pode fazê-lo. Portanto, em relação à produção, não há muita inovação acontecendo no momento”. (Jamie Thomas, Black Box Distr.)
“Como lojista, eu entendo o porquê desses produtos existirem”. (Colin McKay, Plan B)
“Blanks são os sanguessugas do skate: chupam tudo e não dão nada de volta” (Jim Thiebaud, Deluxe Distr.)
A opinião mais lúcida veio daquele que é o mais veterano entre os envolvidos no setor, Bob Denike da NHS/Santa Cruz. Veja o petardo:
“A contínua inércia da indústria é a maior ameaça; todos esperam que alguém surja com uma resposta mágica. A constante falta de compromisso com inovações e novas idéias no setor, que começou em meados dos anos 90, só aumentou e permitiu que esses produtos mais baratos fossem vendidos por empresas que não reinvestem de volta no skate. E isso está lentamente erodindo as fundações desse negócio”.
Não é à toa que Denike não é uma das figuras mais populares no meio industrial americano…

Agora saque só alguns dados estatísticos, espantosamente fornecidos pelo mesmo manifesto / estudo:
- 5.000 models são lançados por ano pela indústria - mas se esqueceram de dizer quantos deles são pro models (que geram royalties não-informados) e quantos são models de marca;
- cerca de 800 skatistas recebem materiais das marcas. Num universo de 12 milhões de skatistas nos EUA, de acordo com a Board-Trac, isso dá uma porcentagem de 0.006666%… Ou seja, 1 em cerca de 15.000 skatistas é agraciado com materiais pelas generosas marcas. Se isso não for uma estatística de elite, não sei o que seria;
- cerca de 400 demos e outras cerca de 400 premières de filmes são bancados pela indústria por ano. Quando se sabe que mais da metade é bancada por marcas de tênis e roupas, vê-se que os fabricantes de decks não gastam tanto quanto querem fazer entender;
- 0.7 % da receita são gastos com os seguros de pros. Pra quem por vezes arrisca a saúde e a vida, é de uma mesquinharia sem medidas.
Sinceridade? Eu teria vergonha de divulgar números assim. Nem com a mais descarada manipulação esses números podem ser vistos como positivos pra indústria.

Bom, você agora sabe as causas e os efeitos dos problemas, sob diversos pontos de vista. Opine, faça as suas observações, dê o seu palpite. E aguarde a parte final do assunto, que fala das “responsabilidades”.

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30

de
março

SOB FOGO CRUZADO PARTE 1

Por Guto Jimenez

Recentemente, a IASC (International Association of Skateboard Companies) publicou um manifesto/estudo da indústria de tábuas de skate chamado “Under Fire”, ou “Sob Fogo Cruzado” numa tradução livre. Tal extenso material saiu como suplemento especial da TWS Business e está disponível pra download no site da revista, em www.twsbiz.com Nele, alguns dos maiores fabricantes e distribuidores de tábuas dão as suas impressões sobre a concorrência sinistra das “blanks” e “shop” boards, aquelas madeiras sem marca ou feitas sob encomenda pras lojas.

Esse problema surgiu como uma moda no princípio dos anos 90. Após customizarem seus tênis e roupas, diversos street pros da época começaram achar “maneiro” sair em fotos, vídeos e na mídia em geral com tábuas lisas, sem arte ou gráficos, só com o silk da marca e adesivos dos patrocinadores mode não perderem os bons incentivos de fotos. Eu mesmo vi o auge dessa modinha com os meus próprios olhos, no Back To The City de 1993 em San Francisco - o campeonato de street mais importante do mundo na ocasião. 9 entre 10 pros NÃO faziam a menor questão de ostentarem nem os seus próprios pro models; os que o faziam eram os “invasores” vindos do vert, como Christian Hosoi, Tony Hawk ou Omar Hassan que, não por acaso, faturavam muito mais do que os então emergentes street pros. Era o auge do Embarcadero e de suas modinhas esquisitas: calças king size, rodas minúsculas, Puma Clydes… Pela primeira vez, o conceito de “function before fashion” fora distorcido, priorizando-se modinhas em detrimento ao desempenho, mas isso não vem ao caso aqui.

Foi nesse momento que algum fabricante de tábuas, que terceirizava a sua produção pra marcas de skate, viu abrir-se à sua frente uma mina de ouro. Ele poderia fabricá-los sem marcas “nas internas” e vender pra distribuidores e lojas muito mais barato do que as marcas o faziam; afinal, era ele quem fabricava mesmo e não precisava ter a margem de lucro das marcas, bastando vender seus blanks a um preço muito atraente que possibilitaria a todos economizarem até 40 % no preço de compra. Hmm, parecia bom pra todo mundo – quem vendia tinha mais margem de lucro, e quem comprava pagava menos. Pra quem vive de mesada ou ganha pouco, qualquer dinheiro que se economize faz diferença, mesmo que sejam os trocados da passagem de ônibus.

É óbvio que as marcas de tábuas forçaram os seus pros a extinguirem com a modinha babaca. Eles obedeceram e a moda passou, mas não os blanks. Por incrível que pareça, apareceram pra ficar. E corroer as bases do mercado de tábuas até colocá-lo no ponto que se encontra hoje em dia – o de estar enfrentando a pior crise da história do skate. Sim, não se surpreenda: as marcas americanas de decks estão na UTI em estado quase terminal. E a culpa é de quem mais deveria cuidar bem desse mercado – distribuidores, lojistas e skatistas que consomem blanks e shop decks.

A principal razão pela qual “blanks” e “shop” decks são nocivas ao mercado de skate como um todo é simples: não há retorno ao skate. Ou seja, cada vez que um(a) skatista entra numa loja e compra uma tábua desse tipo, só porque ela é mais barata, dá um tiro no próprio pé do mercado como um todo. Blanks e shop decks não sustentam pros, não patrocinam campeonatos, não promovem demos ou eventos, não produzem vídeos. Não fazem o mercado girar, enfim. E botam um bocado de dinheiro nos seus bolsos. E matam os fabricantes de tábuas que são quem sustentam aqueles que são as referências a TODOS os que começam a andar de skate, os ídolos, os heróis: os pros.

Goste-se ou não do atual estado do profissionalismo do skate, o fato é incontestável – são os pros quem fazem uma pessoa prestar atenção no skate pela primeira vez. São eles quem inspiram quem já começou a andar, seja do jeito que for. São eles quem se arriscam elevando o nível de manobras cada vez mais. E tornar-se um deles é o que sonha a maior parte da geração mais nova.

Você consegue imaginar um cenário de skate onde não existissem pros?! Eu não. E olha que já vi o skate “morrer” por duas vezes, mas o mercado sempre ressussitou, ou reergueu-se das cinzas como a fênix. Sempre tendo os pros como referências de estilo e de superação de limites.

A PENSE SKATE foi o primeiro veículo a ter a coragem de botar o dedo na ferida contra as lojas parasitas que assolam o mercado carioca, em particular, e brasileiro de um modo geral. Nessa primeira parte, abro a discussão pro tema com a “versão oficial” das marcas. Não deixe de dar a sua opinião no blog, e nem de ver a segunda parte, pois você verá que as coisas não são bem assim.

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28

de
fevereiro

Uma dúvida existencial:

Diversão ou  profissão -  ou os dois?

Por Guto Gimenez

Pergunte pra qualquer skatista que mal saiba dar um flip o que espera do skate; chances serão de que uma imensa maioria vai te responder que quer ser patrocinado(a) e virar profissional. Isso não é novidade nenhuma, só que traz uma nova perspectiva ao ato de se andar de skate: virou uma opção profissional. Pode-se querer estudar medicina, computação ou design gráfico - e pode-se querer ser skatista profissional por um bom tempo.

Tudo muito certo, tudo muito justo - mas onde fica a diversão no meio disso tudo?

Olhe pra sua própria história como skatista e faça-se uma pergunta: "por que eu comecei a andar de skate?" As respostas variam, e a mais comum é "porque o meu irmão ou todos os meus amigos de prédio / quarteirão / bairro começaram a andar". Aconteceu comigo e com milhões de skatistas no mundo afora ao longo dos anos. "Porque vi na tv / revista / um dvd, achei maneiro e resolvi experimentar" é outra resposta favorita dos que pisam no carrinho pela primeira vez.

Os motivos pra começar variam, mas a razão que nos leva a continuar é uma só: andar de skate é muito bom! E, como tudo que é bom de se fazer nessa vida, traz um prazer incomparável, uma sensação de realização pessoal indescritível. A isso, chama-se de diversão.

Essa sensação vai te acompanhar enquanto você andar de skate, tenha a idade que tiver. Mas tudo fica muito diferente quando, ao invés de dar um rolé, você passa a "treinar"; quando, antes de você marcar uma sessão com seus camaradas, tem que certificar se vai ter alguém filmando ou fotografando; quando você vai tentar uma manobra num pico, e tem que saber se alguém já não mandou-a antes ali. Tudo na vida perde a espontaneidade quando vira obrigação, e não é diferente com o skate.

            Já passei por todas as fases de um skatista que você possa imaginar - de moleque que andava nas ruas do bairro, passei depois pras ladeiras da área. Corri os meus primeiros campeonatos, adquiri maior experiência e fui subindo de categorias até virar um "semi-pro" de street - nos anos 80, não havia profissionalismo de skate no Brasil. A carreira competitiva acabou quando operei o joelho, mas nunca deixei de andar. Fui envelhecendo e continuando até chegar onde estou hoje em dia, andando de skate por simples prazer mais uma vez na vida.

Por quê bato tanto na mesma tecla? Porque vejo coisas hoje em dia que me entristecem: não se vibra mais com manobras acertadas por outros como antes. Não se tem mais aquela satisfação gratuita de ver um parceiro acertar alguma coisa perseguida por um bom tempo. Não se torce mais pelos outros como se torce pra si mesmo - tudo porque o skate virou uma profissão, e como toda carreira é bastante competitiva e vai sempre selecionar os "melhores".

E é tão difícil conseguir patrocínio… Uma pesquisa feita nos EUA em 2005 estimou em 12 milhões o número de skatistas daquele país, o que é gente pra cacete, cerca de 6% de toda a população americana. Pois você quer saber quantos skatistas são pros, amadores ou recebem algum tipo de material do mercado de skate? Não chega a 8000 - ou seja, pouco mais de 0.05% do total. Pra ser mais preciso, é aquele dízimo quase infinito de 0.0666%. Pouco mais de 1 em cada 10000 skatistas ganha alguma coisa de alguém pra andar de skate, nem que seja camisetas de loja. E isso nos EUA, que tem um mercado muito evoluído em todas as modalidades de skate que você imagine, e que tem pros que nem em campeonatos entram, ganhando a vida entre filmagens e demos pelo mundo afora.

E os outros quase 9.999 skatistas, vão fazer o quê? Parar de andar?!

Claro que não. Todos continuam andando, alguns vão até continuar a sonhar em virar pro, mas a força-motriz sempre foi uma só: a diversão que mencionei lá em cima. Porque, com ou sem "grana, fama e mulheres", uma coisa não mudará jamais - o prazer de sentir o vento no rosto, a satisfação pessoal de se acertar uma manobra ou de se chegar vivo no final da ladeira. E isso é como aquele anúncio de cartão de crédito - não tem preço.

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26

de
dezembro

PARASITAS DE UM MODO GERAL

Por Guto Jimenez

Acho bem oportuno que alguém mais levante essa bandeira; afinal, desde o Na Base (98/2000) que o mercado não é capaz de sustentar uma publicação local de skate, por menor ou menos modesta que ela seja.  Taí o exemplo recente da Pense Skate pra não me deixar mentir.
            Dizem que o skate carioca é assim por falta de marcas locais fortes, argumento que concordo apenas em parte. Tudo bem que lojas têm o orçamento muito mais apertado do que marcas, mas me questiono se essa realmente seria a maior carência local, principalmente quando penso que há marcas como a Street Line, que está no mercado há muitos anos e não dá o retorno que deveria ao esporte. Não acho que dar alguns shapes de premiação de campeonato seja um grande incentivo ao cenário, mas sim uma maneira barata de marketing ao associar o nome da marca a eventos diversos.
            O problema é bem mais crônico, tem a ver com o jeito carioca de fazer negócios: pouco objetivo, lerdo e dispersivo, na sua maioria. Qualquer fotógrafo que já tenha tido a oportunidade de tentar vender o seu trabalho para marcas sediadas aqui, do skate ou não, vai assinar embaixo do que eu acabei de dizer.
            O problema estrutural do skate carioca é muito mais sério e abrangente do que se imagina. Estamos atrasados não só na maneira de divulgar ou de fazer negócios, mas até nas pistas que existem por aqui e na falta de defesa delas. Compare a "street park" de Terê (a mais nova do estado) com qualquer pista nos sites
grindline.com ou teampain.com e chore de raiva e frustração. Teríamos que ter entidades que corressem atrás de pistas para futuras gerações, ao invés
de tentar "vender um peixe" monstrengo e desatualizado como se fosse uma grande coisa.
            Como skatista veterano, fico pasmo e até meio puto de presenciar a passividade com a qual a grande maioria de skatistas das gerações mais novas vê bikes andando e destruindo os picos que foram agilizados por NÓS, skatistas. Em sua imensa maioria, bikers são PARASITAS, e piores dos que os lojistas de skate que não dão retorno ao cenário. Eu me prendo aos fatos:

1) São skatistas quem formam associações, fazem projetos, correm atrás da construção e fiscalizam a execução das obras de pista de skate. Bikers não têm nem uma associaçãozinha que se preze; só se pode contar com bikers pra destruir o que foi duramente agilizado por outros - no
caso, nós;

2) Bikes destroem SIM! Os pisos das pistas de skate foram feitos pra terem boa performance em contato com uretano; não foram projetados para aturar as constantes quedas e porradas de guidons, pedaleiras e outros metais que têm nas bikes. Para eles, não faz diferença se tem ou não buracos nas pista; suas rodas são de borracha e eles têm freios e andam sentados… e eles sempre podem contar com skatistas para correrem atrás de pistas novas pra eles destruírem;

3) participei das concepções, projetos e execuções de todas as pistas de skate que pintaram no Rio desde 1988 até 2000, mais ou menos. Sei da complicação, burocracia e tempo que se gasta pra que se consiga um simples "sim" das "autoridades competentes" (risos). Por isso, onde quer que eu vá andar, me recuso a dividir a pista com um desses verdadeiros PARASITAS. Podem me chamar de antigo, retrógrado ou babaca, que eu não to nem aí. Se você for um biker e estiver lendo isso, procure marcar a minha cara; se eu estiver na pista, você não vai andar. Respeito é bom, eu gosto e fiz por merecer, portanto vá parasitar em outra freguesia. Simples assim.
            Para concluir: triste é o cenário cuja maior novidade em 2006 foi o cenário de "Malhação".

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