PENSE SKATE, MAS NÃO SEJA BURRO!

Esse é o blog oficial da revista PENSE SKATE. Fique à vontade para dar um rolé.

19

de
novembro

BIA SODRÉ: DE NIKITI PARA O MUNDO

Por Rennê Nunes

"Ela é uma gracinha".  Era assim que a repórter Cecília Mãe  se referia à Bia Sodré quando falavamos dela.  Não podemos tirar sua razão.  Além  da simpatia, Bia carrega com ela  outros 3 grandes diferenciais:  o amor pelo skate, o talento e a humildade.

Foi por causa do primeiro que ela não desgrudou mais do skate desde que começou a andar,  e faz dele uma espécie de extensão de seu corpo.  Por causa do segundo, Bia veio se destacando em campeonatos pelo Brasil, sobretudo no Rio. Chegou aonde chegou aqui no Chile,  sendo a campeã sul-americana no Feminino 2.

 

Juntando esses dois diferenciais, Bia vai muito longe. Mas, se continuar sendo essa menina  humilde, de pés no chão, Bia não terá limites e com certeza vai ganhar o mundo fazendo o que gosta e tem o dom: andar de skate.  Parabéns Molusca!  Skate na veia dos irmãos e das irmãs!

 

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14

de
setembro

Absurdo em São Bernardo do Campo

Por Guto Jimenez

Uma das figuras mais queridas do skate feminino brazuca, a veterana Mônica Polistchuk foi vítima de um absurdo que pode ser classificado no mínimo como fascista. E o pior, o lance aconteceu no "quintal" dela, a reformada Pista de SBC.

Ela foi impedida de andar no novo halfpipe daquela pista simplesmente porque se recusou a dropar direto da plataforma sem se aquecer previamente, conforme queria um dos "monitores" que infestam o pico. Não houve jeito de convencer o cretino do absurdo de sua determinação, que encerrou a diversão de domingo da gracinha paulista.

Reproduzo abaixo o relato dela sobre o incidente lamentável:

Quando cheguei ao half, estavam só o C. (vert pro), dois meninos e um adolescente; aí eu pedi permissão pra eles e dei umas batidas, esperei a minha vez e fui de novo. Até comentei com um amigo que ia me aquecer mais uma vez e droparia da plataforma, pois o half é grande e exige uma velocidade que só dropando pra atingir. Foi quando o cara gritou o meu nome da plataforma e disse:

- MÔNICA, SAI DAÍ E SOBE AQUI!
Eu falei: eu? Pois não?
Ele: Você não pode andar aqui!
Eu: Por quê?!
Ele: Porque você não está de equipamento e não dropa! Você está sem cotoveleira e não pode entrar por baixo do half, tem que dropar!
Eu: Ok, eu pego a cotoveleira que está na mochila e me aqueço um pouco pra dropar.
Ele: Não, você vai dropar agora sem aquecimento!
Eu: Ridículo, cara! Você é político e eu sou skatista, você quer ter a moral de fazer política onde não existe!
Ele: Eu não sou político coisa nenhuma! Isso é lei, está no site e foi aprovada pela câmara de São Bernardo.

É lógico que o caldo entornou e a corda acabou arrebentando do lado mais fraco - no caso, a Mônica. Injuriada com o ocorrido, pegou as suas coisas e foi se divertir em outro lugar.

Além da cretinice da atitude do monitor em si, esse acontecimento traz incluída uma imensa injustiça contra a Mônica, uma pioneira do skate feminino no nosso país. Ela anda de skate desde os "anos negros" do início da década de 80, e sempre marcou presença em todos os campeonatos que pôde entrar - competindo entre os homens, que fique bem entendido. O seu destaque no vert chegou a tal modo que ela foi dublê da Xuxa nas cenas de skate do filme "Lua de Cristal", que é o maior sucesso da carreira cinematográfica da loura global.
E como se não bastasse ser uma skatista e uma gracinha de pessoa, Mônica também é uma chef de cozinha com experiência internacional. Ela já morou na Europa durante anos, hipnotizando os gringos com suas exóticas e deliciosas receitas, uma das quais o tiozinho aqui já teve o privilégio de provar recentemente "en petit comitè" num niver em SP.

Independente de terem mexido com uma amiga querida, essa palhaçada não poderia deixar de ter sido divulgada. A mim, não surpreendeu a falta de preparo do monitor idiota, mas sim a indiferença do vert pro presente ao local, notório por sempre lutar por seus direitos com unhas e dentes. Pelo visto, pro cara deve valer aquela atitude de "se não é comigo, não to nem aí". Lamentável…

Bem dizia Confúcio: "para se conhecer o real caráter de uma pessoa, basta dar-lhe um pouco de poder ou uma posição privilegiada". Mais de 3000 anos depois, é triste constatar que alguns seres humanos não falham: estendem a mão - para empurrar.

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31

de
julho

Para o skate do Rio de Janeiro evoluir

Resposta vencedora da Promo Pense Skate

Diogo Oliveira de Souza Jr.
26 anos / Morador de Botafogo (RJ)

Acho que o empenho dos órgãos ligados ao skate seria o ideal. Por exemplo, a maioria das marcas estão em São Paulo, e as poucas que temos aqui não conseguem dar vazão a grande quantidade de skatistas que possuímos.

Alguns projetos fazem sua parte, mas estão todos correndo por lados opostos. Se temos uma Federação, então porque não podemos todos nos organizar e fazer funcionar como o esperado?

Entra ano e sai ano e o que vemos são eventos separados, eventos com intuitos diferentes, muitos até sem ligação alguma com a FASERJ.
É Sea Cult aqui, Galpão Skate Park lá, Game Of Skate da CUFA acolá e muitos outros eventos isolados.

Não digo que é ruim, na verdade é sempre bom termos tais eventos, mas acho que há falta de empenho quanto à organização dos mesmos.
Sou a favor de interligar todos estes eventos, e o que é preciso para que isso aconteça?
É preciso que todos os envolvidos unam-se em prol do mesmo objetivo. Utilizar a Federação de forma correta, sem criticar, mas sim utilizar.

Cada evento desses contou, e conta, com apoios e patrocínios conquistados. Estes mesmos poderiam ser acionados da mesma forma em uma organização de algo grande. Então para se fazer algo grande é preciso contar com todos os setores envolvidos.

Beleza, e como isso ajuda o skate carioca?
Simples: a partir do momento em que se tem estabilidade e coerência nos atos, o nome se destaca, o SKATE CARIOCA se fortalece, chamando atenção para o cenário daqui. Trazendo investidores de vários lugares, inclusive da própria região.

Sou a favor também de que, com este planejamento estabilizado, lutar para que se produza um evento PRO no Rio, fazendo com que a imagem de capital e sede de um evento de grande porte reflita no investimento estadual. Isso mostrando a força do skate em âmbito nacional.

Faça-se então o investimento adequado na prática do mesmo. Conseqüentemente haverá então investimento interno, como reformas de pistas, criação de novas pistas e eventos co-relacionados.

Acredito que, como vimos em muitos outros lugares, a força de uma federação é capaz de se chegar longe. Grandes mudanças surgiram em todo mundo graças à organização e determinação.

Sua opinião é importante. Não deixe de comentar!

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31

de
julho

Para o skate do Rio de Janeiro evoluir

Resposta vencedora da Promo Pense Skate

João Pedro Cunha de Oliveira
20 anos / Morador de Todos os Santos

Para que realmente haja uma real evolução do skate aqui no Rio, é necessário não apenas o movimento de donos de skate shops ou de marcas de skate, o que ajuda e muito. Mas o que realmente vai fazer a diferença é a ação de cada skatista, de cada indivíduo.

Se você tem uma filmadora, faça vídeos e mais vídeos… Se você tem máquina, tire fotos e mais fotos… Coloque o caixote na rua e ande… Se tem buraco na pista, não espere os outros fazerem algo a respeito, tente concertar…

O skate carioca precisa de skatistas pró-ativos, skatistas que não esperam acontecer, que fazem a parada rolar. Nós temos que lotar o e-mail da prefeitura, acompanhar projetos, temos que literalmente colocar a cara à tapa.

O skatistas tem colocado a responsabilidade nas marcas e nas lojas… Mas na verdade o erro está na gente, jogando essa responsabilidade nas mãos dessa galera. A responsabilidade de evoluir o skate carioca tá na nossa mão.

E aí? Concorda ou discorda? Pense e comente!

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31

de
julho

Para o skate do Rio de Janeiro evoluir

Resposta vencedora da Promo Pense Skate.

Por Felipe Fonseca
16 anos / Morador de Cordovil - RJ

Menos moda, Reajuste nos preços!

A industria tem que enxergar que quem usa o tênis pra skate é o skatista e parar de visualizar apenas a “playboyzada”, pois querem é vender, lucrar! Obvio como qualquer empresa, mas esquecem dos verdadeiros valores que são principalmente os skatistas que, se não fosse por nós, também não haveria lucro!

Um pouco mais de infra-estrutura e pistas ”Certas!”

Acho que aqui (RJ) como em vários lugares, as pessoas enxergam o skate só numa
rampa, e por pensarem assim, acham que os skatistas estão errados de andar em tal lugar, tendo uma rampa ali, uma pista lá…Mas do que adianta só construir pistas pra falar que ”tem” e todas estarem mal estruturadas?

Acho que falta tudo, competência dos nossos Governantes, mais valorização do nosso esporte e principalmente respeito para com nós skatistas, e para com o povo! Somos skatistas mais pagamos nossos impostos, luz, água…

Quando falta respeito, falta tudo. É melhor investir no Pan e arrancar centenas de pessoas de suas casas pra dar moral para os Gringos e deixar nosso povo passando fome, como sempre!

Valeu Galera da Pense, valeu por esse espaço. Acho que foi mais um desabafo do que uma resposta direta!

E você, concorda ou discorda?
Não deixe de comentar!

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7

de
julho

SKATE NAS OLIMPÍADAS?! NÃO, OBRIGADO!

por Guto Jimenez

Há uns dias, eu recebi um email de um amigo muito bem relacionado lá dos EUA, que me passou uma notícia que me deixou um bocado apreensivo e bem puto até. Traduzo literalmente parte do conteúdo:
“Pode começar a ficar indignado: alguns dos dirigentes mais influentes do COI reuniram-se com a ICU (International Cycling Union, a União Internacional de Ciclismo - ?!) e deliberaram pela inclusão do skate como esporte olímpico a partir de 2012.” Uns dias depois, a bomba saiu até no New York Times: a ICU irá “adotar” o skate até o fim do mês como sub=modalidade (!), adequá-lo aos critérios olímpicos (!!) e, em 2 anos, organizar o esporte mundialmente (!!!). Estranhamente, a WCS ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Não é de hoje que esse assunto ronda o meio do skate. Desde que alguns skatistas fizeram uma demo no encerramento das Olimpíadas de Atlanta, em 1996, que vira e mexe essa pauta retorna à discussão. Tudo bem que aquela foi a demo de skate que teve a maior audiência da história (cerca de 1 bilhão de telespectadores) – mas mudou alguma coisa pro cenário?! Uma outra dica de que o assunto poderia retornar à pauta foi a apresentação de slalom na abertura dos últimos jogos de inverno em Milão, há pouco mais de um ano. Nem assim a ISSA (International Slalom Skateboard Association) teve maior facilidade em organizar o circuito mundial da modalidade.

Meu camarada sabe que eu sempre fui contra essa coisa. A única coisa de positiva que vejo, numa hipotética inclusão do skate como modalidade olímpica, seria que os governos poderiam construir cada vez mais pistas pra prática de mais um esporte que disputa medalhas. Só isso e nada mais. Esse aspecto, inclusive, me foi exposto por um dos grandes defensores da idéia, o atual tetracampeão mundial de vert Sandro Dias, numa das últimas vezes que nos encontramos. Eu admito que é um ótimo motivo, ainda mais no Brasil, mas não o suficiente pra me fazer mudar de idéia.

Por quê sou contra? Primeiro porque todo esporte olímpico individual tem critérios de julgamento determinados e pré-estabelecidos; ou seja, cada manobra ou movimento tem a sua própria cotação. Aí eu pergunto: como determinar que um switch heelflip backside boardslide, por exemplo, seria melhor que outro?! Se os juízes de skate até hoje cometem decisões polêmicas, é esperar demais que tomem jeito de uma hora pra outra só porque o skate faz parte da competição dos 5 anéis.

Outra coisa que acho muito estranho em algumas dessas modalidades olímpicas é que existem movimentos obrigatórios; essa esquisitice também já assolou o skate em priscas eras. Lembro que, nos anos 70, as disputas de freestyle continham manobras obrigatórias – se não me falha a memória, eram tail e nose wheelies, walk the dog, space walk e 360s. Tentou-se fazer o mesmo com o vert, mas não deu certo. Fico imaginando quais manobras poderiam ser obrigatórias no skate ao nível que está hoje em dia… Sem falar que esse critério é extremamente limitador à criatividade do praticante, seja de qual esporte for.

Esses são só alguns dos aspectos técnicos que eu abordo aqui, mas a coisa vai muito além disso. Eu ouso dizer que o COI está buscando uma espécie de renovação do interesse dos patrocinadores dos jogos olímpicos de verão, da mesma maneira que fizeram com as olimpíadas de inverno ao adotarem o snowboard como modalidade olímpica. Antes da adoção, a FIS (Federação Internacional de Ski e Snowboard) considerava o snowboard como uma mera “distração de adolescentes”, e fazia competições bem nas coxas e cheios de má vontade. A molecada começou a considerar o esqui como coisa de mauricinhos ou velhos, o esporte foi crescendo e tornou-se o que mais crescia (e vendia) dos esportes de inverno… e a FIS teve de enfiar a viola no saco. Outra entidade foi formada pra regular o snowboard, o COI adotou as pranchas de neve, os jogos de inverno foram salvos e todos viveram felizes para sempre.

Qualquer semelhança com o skate NÃO terá sido mera coincidência. O COI não adotou o bicicross como modalidade olímpica à toa, mas sim como maneira de atrair a atenção dos jovens aos jogos olímpicos; isso quer dizer mais audiência pras redes de tv, mais grana a ser cobrada dos patrocinadores - mais interesses comerciais satisfeitos, enfim. Os bikers estão sendo usados como cobaias e nem ligam, afinal qualquer divulgação é lucro pra quem tem pouca exposição na mídia e/ou vive na carona do skate nos eventos de tv.

Outro argumento em defesa da inclusão do skate como modalidade olímpica é aquele velho “pense na divulgação que o skate possa ter”. Ué, o skate já não tem divulgação suficiente?! Tirando o futebol e o basquete, quais outros esportes olímpicos têm a mídia, mercado, a quantidade de ídolos e o número de praticantes no mundo todo que o skate tem? Acho que você já deve saber da resposta.

O que me deixa mais indignado com essa atitude oportunista do COI é o fato deles, na sua arrogância, terem o displante de dizer que “o skate passará a ter a legitimidade, o reconhecimento e o status característicos de um esporte olímpico”. Como assim, cara-pálida?! Quem disse que o skate precisa de alguma coisa do COI?! O skate já é legítimo, reconhecido e tem o seu próprio status independente do que essa entidade esdrúxula e ultrapassada possa fazer. SEMPRE andamos com as nossas próprias pernas, descobrindo novos terrenos, formando e desenvolvendo novas modalidades; foi o nosso esforço que fez o skate se tornar o que é hoje em dia. Quando digo “nosso”, digo de skatistas de um modo geral, e não só dos grandes ídolos de todos os tempos.

Pra mim, isso é um oportunismo da pior espécie, motivado por um motivo simples: dinheiro. Não há um genuíno interesse esportivo nisso; o que acontece é que as redes de tv americanas vêm pagando cada vez menos pelos direitos de transmissão dos Jogos. Isso porque a juventude americana tem dado mais audiência a eventos esportivos de esportes de ação do que a disputas de esportes tradicionais, aí incluindo os 4 “jock sports” favoritos dos americanos (basquete, futebol americano, beisebol e hóquei no gelo) e as modalidades olímpicas. Como americano não paga nem um centavo a mais acima do valor do que quer que seja, a pressão vinha sendo formada e o COI teve de ceder. Como se diz nos EUA, “money talks and bullshit walks” – algo como “o dinheiro fala mais alto”.

Infelizmente eu já esperava por isso. Desde que o skate virou profissão, e muitos skatistas o passaram a encarar como uma mera escolha de carreira, que aguardo por isso. Mas nem assim consigo me conformar. E uma grande dúvida ronda a minha mente: será que, se o skate for aceito como esporte olímpico, ele será mais respeitado por pais, autoridades e quem quer que seja?

Não sei não. Acima de tudo, o skate é um estilo de vida antes de ser um esporte. Somos o tipo de gente que vai estar num lugar onde não era pra estarmos, numa hora em que ninguém esperava e fazendo aquilo que ou é proibido ou é inesperado. Podem fazer quantas pistas quiserem – nenhum corrimão, nenhuma parede, transição ou ladeira estarão a salvo. O fato de ser proibido nunca nos impediu de andarmos de skate onde quer que queiramos, na hora que quisermos, do jeito que desejemos.

Essa é a alma do skate, faz parte do DNA de cada skatista. Enquanto for assim eu digo: skate nas Olimpíadas?! Incluam-me fora.

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17

de
junho

SOB FOGO CRUZADO FINAL

por Guto Jimenez

A parte final do manifesto/estudo ‘Under Fire” se dedica a apontar as responsabilidades de cada um no mercado de skate. De fornecedores e fabricantes a distribuidores e lojistas, de fabricantes de tênis e roupas a pros e mídia, todos têm que tomar algumas atitudes urgentes pra que não se mate a “galinha dos ovos de ouro” de uma vez. Como acredito no lema que diz que “cada um com o seu cada qual”, analiso apenas o que diz respeito à minha atividade no meio do skate, que é de mídia.
Como a parte que toca a mídia é pequena, transcrevo integralmente fazendo os meus comentários:
“Ao mesmo tempo que é excitante ver novos rostos no meio, é muito importante realçar os pros e amadores mais relevantes pra que os garotos possam entender claramente quem são os líderes do skate”.
Peraí: o que é melhor pro meio, ver os mesmos skatistas sempre ou perceber que uma renovação é possível?! Será que tantos andariam de skate se não tivéssemos tantos pros e amadores diferentes, vindos dos lugares mais variados do mundo? Não sei se o futuro de revistas, sites etc seria brilhante se focássemos sempre a mesma “meia-dúzia de 3 ou 4”.
Outros ítens a considerar:
- “o impacto negativo de publicar-se anúncios que promovam produtos sem-marcas, em revistas direcionadas a consumidores e aos negócios”. Eu já vi anúncios de fábricas de tábuas oferecendo serviço, mas não me lembro de ter visto alguém relacionando a sua produção aos blanks de maneira escancarada, embora quem leia nas entrelinhas entenda que é isso mesmo o que eles queiram. Agora adivinhe você quem são os maiores “chorões” de desconto de anúncios – e quem são os que pagam com menos descontos… Vou fingir ignorar o fato de referirem-se a skatistas como “consumidores”, apenas;
- “a necessidade de product reviews (= análises de produtos) de marcas que apóiem as revistas e a indústria”. Puxa, obrigado por “ensinarem os padre a rezarem a missa”, não sei o que seria de nós sem isso…;
- “a necessidade de segmentos sobre a fabricação de decks e a diferenciação entre os produtos”. A TRIBO já fez isso há muitos anos atrás; adivinhe quais eram as páginas que ninguém se interessava em ler?!;
- “o impacto negativo em se publicar fotos de pessoas usando tábuas sem artes”. Vamos combinar? Primeiro analisem o impacto negativo em se fabricar produtos que quebrem no primeiro rolé, e depois a gente conversa. Falar mal da mídia é mole, quero ver é nos pagar o que merecemos;
- “a sua equipe editorial realmente avalia a quem dá cobertura, e se eles estão fazendo a diferença?” Puxa, os caras não perdem a mania de nos ensinar a trabalhar. Fico imaginando qual seria a reação deles se eu os ensinasse a fabricar tábuas – olha que já trabalhei no meio…;
- “concentrar-se nos pros mais conhecidos e transformá-los em heróis”. Não vou me repetir, mas veja você os fatos e vá somando. Ser skatista profissional sempre foi pra uma elite, mas nunca o foi como é hoje em dia. Junte-se a isso a geração menos carismática de pros da história do skate, na sua maioria; adicione-se ainda manobras muito complicadas, que são executadas por uma elite apenas; inclua ainda os preços de tábuas, que nunca foram tão caras. O resultado é um só: desastre.
Quem tem pouca grana, pensa com o bolso antes de usar a consciência. Sempre foi assim, e sempre o será, até o fim dos tempos. O que não dá é conclamar por uma “consciência coletiva” sem vir com argumentos míopes, que só enxergam um lado da questão.
Assim que o “Under Fire” foi publicado, enviei um mail pra IASC e TWS Biz no qual disse o seguinte:
“Durante cerca de 15 anos, a indústria de skate fez o mundo acreditar que só havia um tipo de skatista apenas – menino, streeteiro, entre 12 e 18 anos de idade. Só que as outras modalidades sempre existiram e, agora, vendem mais do que o street. E não colocam tanta importância assim a pro models, modas e hype, seguindo com a preocupação única de quebrar os seus próprios limites – e divertir-se. Por favor, comente a afirmação acima”.
É claro que ninguém me respondeu. E eu não esperava outra coisa. Enquanto a indústria for a bruxa má, que se olha no espelho e se vê como a mulher mais bonita do mundo, não vai ter jeito. Lembre-se que, na fábula, a Bela Adormecida despertou. Na vida real, os skatistas também acordaram.

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27

de
abril

DUANE PETERS OLD SCHOOL MODEL GARDHENAL

por Guto Jimenez

Medidas: 33” comprimento (83.82cm) X 9” largura (22.86cm) X 15.5” wheelbase (39.37cm)

Quando o “Mestre do Desastre” Duane Peters esteve no Brasil no ano passado, excursionando com o US Bombs, assinou um contrato com o Ragueb Rogério da Gardhenal pra fabricação de uma série limitada de tábuas. O proto-skate punk sacou que o objetivo da marca não era só fazer uma grana de maneira oportunista, mas sim fazer um produto de qualidade que também homenageava um dos maiores ícones do skate vertical em todos os tempos. Além disso, Duane viu e aprovou os produtos feitos pela fábrica, e um dos resultados dessa união é o que eu vou dissecar aqui.

Ganhei de Ragueb uma tábua com o model Old School, com “diamond shape” bem funcional no tail, nose mais curto que os modelos atuais e largura como as das antigas medidas. Claramente dirigido a skatistas que passaram pelos anos 80, como eu, é um produto com roupagem e técnica de fabricação modernas pra ser usado & detonado não só em pistas, mas também nas ruas em boas sessões de downhill speed ou até mesmo de street. Esse último já não é mais o meu caso, embora não tenha me decepcionado quando preciso subir calçadas de ollie ou quando vou à Pirâmide recordar os velhos tempos que não voltam mais.

A construção sólida da tábua já não era uma novidade pra mim, pois já tinha usado um model Grinders da mesma marca e havia me impressionado com a rigidez da madeira. Robusta, sim, mas nem por isso pesada; a Gardhenal desenvolveu uma forma de colagem e prensa das lâminas de maneira a torná-las resistentes sem aumentar o peso do produto final. Tudo isso usando madeiras nacionais, que não têm a mesma fibra resistente que o “maple” canadense usado em tábuas importadas – pra você ter uma idéia, é extraído da árvore o delicioso “maple syrup”, uma espécie de melado natural e delicioso . Eu já trabalhei no meio e posso dizer pra você que pra se usar madeiras como marfim ou goiabão, e fazer-se algo que seja rígido e não seja um toco, é fruto de muito trabalho e dedicação naquilo que se faz.

O que mais me chamou a atenção quando pisei na tábua pela primeira vez foi o concave. Nossa, há quanto tempo não sentia os meus pés grudarem tanto num skate! Não é tão profundo quanto o era há uns 20 anos, mas é bem mais acentuado que os de hoje em dia, e faz os pés “colarem” na lixa. E isso é fundamental quando se passa a parte funda do Rio Sul de carving ou se dropa uma ladeira com eixos com pads e rodas grandes praquela sessãozinha de downhill slide, coisas que o tiozinho aqui aprecia fazer de vez quando posso. Também o wheelbase é sem miséria, largo o bastante pra se adicionar mais firmeza ainda tanto em transições de pistas quanto em ladeiras e apropriado às generosas dimensões da madeira.

Se você é streeteiro, não vai se decepcionar com essa tábua – pelo contrário, é mais fácil se surpreender e se amarrar nela. Afinal, o nose pode ser um pouquinho só mais curto que os mais modernos, mas é largo o suficiente pra encaixar os pés nos noseslides e crookeds da vida. E o tail – ah, o tail! Tem aquele “pop” tão necessário quando você vai se atirar num gap ou encarar um corrimão; isso é algo que não é pra mim, mas fico imaginando a funcionalidade que teria uma tábua mais larga pros que preferem se atirar na velô do que tentar a mesma manobra 300 vezes a 2 km/h. Acho que a boa angulação de tanto o nose quanto o tail deve atender às necessidades do fanático por switch, embora não tenha usado a tábua pra esse fim. Lembre-se: os únicos limites são os impostos pela sua própria imaginação.

A Gardhenal ainda faz um model “banana shape”, igual aos dos dias atuais. Se mantiver as qualidades do model Old School, pode apostar o seu dinheiro na tábua que você terá em mãos um produto vencedor que não perde nada pra uma Black Label, por exemplo. O único porém foi a furação, que somente veio no padrão mais fechado e me levou a lembrar os velhos tempos de outrora ao me fazer acionar o kit furadeira… Nada que possa diminuir a ótima impressão, ainda mais depois que soube que o Ragueb ajoelhou no milho por dias em sinal de penitência pelo quase pecado mortal. Bom menino ele é, e muito boa madeira a que ele faz.

Acesse também:

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19

de
abril

SOB FOGO CRUZADO PARTE 2

“Assim o é, se lhe parece”. (William Shakespeare)

por Guto Jimenez

Então vejamos: de acordo com os fabricantes de tábuas pro models, comprar blanks e shop decks podem matar a “galinha dos ovos de ouro”, pelos motivos que vimos antes. Pensar só com o bolso, ao invés de fazê-lo com consciência, é um veneno que pode matar o mercado do skate da maneira que o conhecemos nos dias de hoje.
A questão que não quer calar é: a culpa é só de quem compra blanks e shop decks, seja quem for?

O que mais me chamou a atenção no manifesto da indústria de tábuas, o “Under Fire”, foi a cegueira coletiva de alguns que estão por trás do segmento. Veja alguns comentários:
“São os pros quem validam e definem a imagem de uma marca”. (Bod Boyle, Dwindle Distr.). Ué, primeiro a World Industries extingue os pro models – e agora ele reclama?! Quem com ferro fere…
“O mercado americano ainda está saudável, mas o mercado internacional tem sido muito afetado pela quantidade de produtos muito baratos sendo oferecidos”. (Chris Carter, DNA Distr.). Não é só por isso, cara-pálida: no mundo inteiro há cada vez mais praticantes de transições, downhill, slalom e freestyle, modalidades ignoradas por grande parte de fabricantes de pro models.
“Num mercado decadente, é muito importante ajudar e apoiar empresas que dão ao mercado força e personalidade” (Dan McGee e Joe Burlo, Blueprint). Ah, bom; se eu entendi direito, sob condições normais o que vale é a selvageria capitalista da concorrência desleal…
Já outros cabeças da indústria têm pensamentos bem conscientes, saque só:
“Embora eu goste do modelo de 7-ply (= 7 camadas), qualquer um pode fazê-lo. Portanto, em relação à produção, não há muita inovação acontecendo no momento”. (Jamie Thomas, Black Box Distr.)
“Como lojista, eu entendo o porquê desses produtos existirem”. (Colin McKay, Plan B)
“Blanks são os sanguessugas do skate: chupam tudo e não dão nada de volta” (Jim Thiebaud, Deluxe Distr.)
A opinião mais lúcida veio daquele que é o mais veterano entre os envolvidos no setor, Bob Denike da NHS/Santa Cruz. Veja o petardo:
“A contínua inércia da indústria é a maior ameaça; todos esperam que alguém surja com uma resposta mágica. A constante falta de compromisso com inovações e novas idéias no setor, que começou em meados dos anos 90, só aumentou e permitiu que esses produtos mais baratos fossem vendidos por empresas que não reinvestem de volta no skate. E isso está lentamente erodindo as fundações desse negócio”.
Não é à toa que Denike não é uma das figuras mais populares no meio industrial americano…

Agora saque só alguns dados estatísticos, espantosamente fornecidos pelo mesmo manifesto / estudo:
- 5.000 models são lançados por ano pela indústria - mas se esqueceram de dizer quantos deles são pro models (que geram royalties não-informados) e quantos são models de marca;
- cerca de 800 skatistas recebem materiais das marcas. Num universo de 12 milhões de skatistas nos EUA, de acordo com a Board-Trac, isso dá uma porcentagem de 0.006666%… Ou seja, 1 em cerca de 15.000 skatistas é agraciado com materiais pelas generosas marcas. Se isso não for uma estatística de elite, não sei o que seria;
- cerca de 400 demos e outras cerca de 400 premières de filmes são bancados pela indústria por ano. Quando se sabe que mais da metade é bancada por marcas de tênis e roupas, vê-se que os fabricantes de decks não gastam tanto quanto querem fazer entender;
- 0.7 % da receita são gastos com os seguros de pros. Pra quem por vezes arrisca a saúde e a vida, é de uma mesquinharia sem medidas.
Sinceridade? Eu teria vergonha de divulgar números assim. Nem com a mais descarada manipulação esses números podem ser vistos como positivos pra indústria.

Bom, você agora sabe as causas e os efeitos dos problemas, sob diversos pontos de vista. Opine, faça as suas observações, dê o seu palpite. E aguarde a parte final do assunto, que fala das “responsabilidades”.

Acesse também

http://www.penseskate.net/index2.php?link=home.php

http://www.fotolog.com/penseskate

http://www.orkut.com/GLogin.aspx?done=http%3A%2F%2Fwww.orkut.com%2FCommunity.aspx%3Fcmm%3D1439167

 

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30

de
março

SOB FOGO CRUZADO PARTE 1

Por Guto Jimenez

Recentemente, a IASC (International Association of Skateboard Companies) publicou um manifesto/estudo da indústria de tábuas de skate chamado “Under Fire”, ou “Sob Fogo Cruzado” numa tradução livre. Tal extenso material saiu como suplemento especial da TWS Business e está disponível pra download no site da revista, em www.twsbiz.com Nele, alguns dos maiores fabricantes e distribuidores de tábuas dão as suas impressões sobre a concorrência sinistra das “blanks” e “shop” boards, aquelas madeiras sem marca ou feitas sob encomenda pras lojas.

Esse problema surgiu como uma moda no princípio dos anos 90. Após customizarem seus tênis e roupas, diversos street pros da época começaram achar “maneiro” sair em fotos, vídeos e na mídia em geral com tábuas lisas, sem arte ou gráficos, só com o silk da marca e adesivos dos patrocinadores mode não perderem os bons incentivos de fotos. Eu mesmo vi o auge dessa modinha com os meus próprios olhos, no Back To The City de 1993 em San Francisco - o campeonato de street mais importante do mundo na ocasião. 9 entre 10 pros NÃO faziam a menor questão de ostentarem nem os seus próprios pro models; os que o faziam eram os “invasores” vindos do vert, como Christian Hosoi, Tony Hawk ou Omar Hassan que, não por acaso, faturavam muito mais do que os então emergentes street pros. Era o auge do Embarcadero e de suas modinhas esquisitas: calças king size, rodas minúsculas, Puma Clydes… Pela primeira vez, o conceito de “function before fashion” fora distorcido, priorizando-se modinhas em detrimento ao desempenho, mas isso não vem ao caso aqui.

Foi nesse momento que algum fabricante de tábuas, que terceirizava a sua produção pra marcas de skate, viu abrir-se à sua frente uma mina de ouro. Ele poderia fabricá-los sem marcas “nas internas” e vender pra distribuidores e lojas muito mais barato do que as marcas o faziam; afinal, era ele quem fabricava mesmo e não precisava ter a margem de lucro das marcas, bastando vender seus blanks a um preço muito atraente que possibilitaria a todos economizarem até 40 % no preço de compra. Hmm, parecia bom pra todo mundo – quem vendia tinha mais margem de lucro, e quem comprava pagava menos. Pra quem vive de mesada ou ganha pouco, qualquer dinheiro que se economize faz diferença, mesmo que sejam os trocados da passagem de ônibus.

É óbvio que as marcas de tábuas forçaram os seus pros a extinguirem com a modinha babaca. Eles obedeceram e a moda passou, mas não os blanks. Por incrível que pareça, apareceram pra ficar. E corroer as bases do mercado de tábuas até colocá-lo no ponto que se encontra hoje em dia – o de estar enfrentando a pior crise da história do skate. Sim, não se surpreenda: as marcas americanas de decks estão na UTI em estado quase terminal. E a culpa é de quem mais deveria cuidar bem desse mercado – distribuidores, lojistas e skatistas que consomem blanks e shop decks.

A principal razão pela qual “blanks” e “shop” decks são nocivas ao mercado de skate como um todo é simples: não há retorno ao skate. Ou seja, cada vez que um(a) skatista entra numa loja e compra uma tábua desse tipo, só porque ela é mais barata, dá um tiro no próprio pé do mercado como um todo. Blanks e shop decks não sustentam pros, não patrocinam campeonatos, não promovem demos ou eventos, não produzem vídeos. Não fazem o mercado girar, enfim. E botam um bocado de dinheiro nos seus bolsos. E matam os fabricantes de tábuas que são quem sustentam aqueles que são as referências a TODOS os que começam a andar de skate, os ídolos, os heróis: os pros.

Goste-se ou não do atual estado do profissionalismo do skate, o fato é incontestável – são os pros quem fazem uma pessoa prestar atenção no skate pela primeira vez. São eles quem inspiram quem já começou a andar, seja do jeito que for. São eles quem se arriscam elevando o nível de manobras cada vez mais. E tornar-se um deles é o que sonha a maior parte da geração mais nova.

Você consegue imaginar um cenário de skate onde não existissem pros?! Eu não. E olha que já vi o skate “morrer” por duas vezes, mas o mercado sempre ressussitou, ou reergueu-se das cinzas como a fênix. Sempre tendo os pros como referências de estilo e de superação de limites.

A PENSE SKATE foi o primeiro veículo a ter a coragem de botar o dedo na ferida contra as lojas parasitas que assolam o mercado carioca, em particular, e brasileiro de um modo geral. Nessa primeira parte, abro a discussão pro tema com a “versão oficial” das marcas. Não deixe de dar a sua opinião no blog, e nem de ver a segunda parte, pois você verá que as coisas não são bem assim.

Acesse também:

http://www.penseskate.net/index2.php?link=home.php

http://www.fotolog.com/penseskate

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1439167

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